Laura
O expediente estava quase no fim quando ouvi passos firmes atrás de mim. Levantei o olhar e encontrei Riuk parado diante da minha mesa. Sério como sempre, mas havia algo nos olhos dele que não deveria estar ali. Um peso silencioso. Uma notícia que ele carregava como quem segura algo frágil demais.
"Enoch pediu para te entregar isso." A chave pousou no tampo da mesa com um som pequeno demais para o estrago que causou.
A chave.
A que eu tinha deixado com ele.
A que eu imaginei que ainda estaria no bolso dele quando eu chegasse em casa.
A que, na minha cabeça, significava que ele estaria lá. Que de algum jeito absurdo, tudo se ajustaria.
Doce fantasia.
Eu mesma tinha dito que ele estava certo. Que nós não tínhamos como funcionar. E, mesmo assim, eu queria que ele tivesse ignorado minhas palavras. Que tivesse insistido. Que tivesse me lido por dentro e percebido que meu medo estava fazendo o papel de porta-voz.
Meu coração deu um tropeço dentro do peito.
"Como assim… onde ele está?" Minha voz saiu fina, quase transparente.
Riuk respirou fundo, escolhendo cada letra com cuidado.
"Ele preferiu ficar na minha casa."
Preferiu. A palavra cortou por dentro.
Assenti, tentando fingir uma tranquilidade que esfarelava por todos os lados.
"Obrigada."
Ele me observou por um segundo longo, como se quisesse dizer algo… mas não disse. Só se virou e foi embora.
E eu fiquei ali, segurando a chave que parecia pesar bem mais que metal.
Olhei em volta e quase todos já tinham saído e eu não sabia exatamente o que fazer, peguei minhas coisas e me levantei, mas era como se não fosse eu.
Dirigir até minha casa foi uma tortura lenta. A cada semáforo, um pensamento novo me atravessava, todos tentando me convencer de que eu estava certa.
Era o melhor.
Eu não pertencia ao mundo dele.
Nós não tínhamos futuro.
Eu não poderia viver cercada de coisas que eu nem entendia direito.
Repeti tudo isso como quem repete um mantra. Mas nenhum deles entrou de verdade.
Quando abri a porta do meu apartamento e vi tudo arrumado, tudo limpo, tudo com a marca silenciosa dele… Eu desabei.
Joguei a bolsa no chão e apoiei as mãos nos joelhos, sentindo as lágrimas caírem sem controle. Que dor era aquela? Como podia doer tanto por algo que mal tinha começado?
Devia ter esperado mais.
Devia ter tentado entender.
Devia ter perguntado mais sobre ele, sobre a raça dele, sobre esse laço absurdo que parecia puxar meu peito para onde ele estivesse.

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