Cap.26: Morgan finalmente descobre Hanna.
Enquanto mantinha sua atenção fixa na sacada do escritório de Morgan, Lory se sentou ao lado de Hanna, que agora parecia bastante quieta e desanimada.
— Parece estar com seus pensamentos longe, senhorita Hanna — comentou Lory, vendo a menina suspirar profundamente.
— Tenho pensado sobre algumas coisas que vi e sobre algumas questões sem respostas.
— Se eu puder ajudar...
— Talvez sim... O que eu gostaria de saber é sobre Morgan e sua ex-sogra. Por que ela continua vivendo nessa casa? Parece que ninguém gosta dela.
— Bem, é verdade que ninguém gosta dela, mas não temos escolha. Ela é esposa de um homem muito importante na cidade, e é o mesmo homem que permite que Morgan financie pesquisas importantes e faça aquisições de tudo que é necessário.
— Mas o que Morgan faz é bom, certo? Ou é algo ilegal? — Hanna perguntou confusa.
— Hanna, tudo que Morgan faz é legal diante da lei e tem registros, mas... ele sabe que tudo pode ser alterado e adulterado, e até mesmo sua pesquisa pode ser vendida e ele pode perder seus méritos. Resumindo, um homem que trabalha para o governo e que pode mexer com todos os tipos de informações pode destruir o nome da família Farrugia e todos os sonhos de Morgan. Por isso... ele prefere aguentar as investidas perversas de Liara, que faz de tudo para vê-lo infeliz.
— Mas se ela quisesse vê-lo infeliz, ela já teria acabado com todos os seus investimentos se quisesse certo?
— Não é isso que ela quer. Afinal, se ela fizer isso, não terá mais Morgan nas mãos dela. Ele não é um homem fácil de lidar, por isso ela sabe que se fizer o que ameaça fazer, ela perde o controle de Morgan e não poderá mais infernizá-lo psicologicamente.
— Parece uma vida ruim, já que ele passa por isso já faz oito anos — murmurou Hanna pensativa. Então Lory ergueu as sobrancelhas com surpresa.
— Como você sabe que já faz oito anos? — perguntou Lory. Então ela percebeu a falha.
— Eu... eu só ouvi alguns boatos e comentários de Liara quando estive brevemente ouvindo algumas conversas — balbuciou ela nervosa, tentando explicar.
— Ah... você está com sede? O médico disse que você precisa beber bastante líquido. Quer que eu traga algo? — perguntou Lory.
— Você poderia? Sinceramente não estou me sentindo bem para levantar — comentou Hanna, demonstrando realmente estar abatida.
— Você vai ficar melhor, fique aqui e me espere — avisou Lory se retirando.
Ela fingiu que estava seguindo para o anexo, mas desviou caminho entre as árvores e seguiu para a mansão para encontrar Morgan. Ao chegar no escritório de Morgan, ela começou a bater na porta com ansiedade. Estava tão empolgada que mal percebia o que estava fazendo, enquanto seu estômago revirava de tanta ansiedade.
— Por Deus... — resmungou Lory baixinho, esperando que Morgan atendesse.
— Que loucura é essa? — perguntou Morgan com a voz calma ao atender a porta, em seguida erguendo as sobrancelhas ao ver Lory. Ah... a senhora sumida decidiu aparecer? — perguntou com ironia.
— Não sentiu minha falta? Afinal, deveria ter ido me visitar então, não acha? — perguntou ela com deboche.
— Acredito que deve estar sendo um martírio, até porque... — ele parou de falar e Lory fixou seu olhar nele, percebendo sua expressão de curiosidade.
Lory sorriu animada. Sim! Ele a tinha visto.
Hanna estava distraída a alguns metros em frente a um arbusto retangular que estava decorado com muitas flores desabrochadas. Ela ficou encantada com a precisão com que aquela planta tinha sido cortada e como as flores cresciam sem ultrapassar e estragar a forma. A ponta de seus dedos tocava cada rosa com delicadeza, presa ao encanto que aquilo transmitia.
— Quem é? — perguntou ele, a observando ainda de costas sem conseguir ver seu rosto. Ele ficou de repente atento a cada detalhe: seus cabelos longos e sedosos esvoaçando com leveza ao vento em conjunto com o vestido que fazia ondas mágicas, transformando Hanna em uma figura que parecia transmitir algum tipo de magia.
— Ah... sim, alguém que eu trouxe para ficar comigo. Quer conhecê-la? — perguntou Lory percebendo o olhar curioso e admirado de Morgan.
Então Morgan ajeitou a gravata, limpando a garganta, demonstrando desconforto ao voltar a si.
— Você trouxe alguém sem avisar? — perguntou Morgan, tentando prestar atenção em Lory.
— Na verdade, eu posso, sendo alguém da minha família — comentou ela, observando Hanna que se virou para voltar ao grupo, mas acabou se deparando com Lory e Morgan a alguns metros a observando.
Surpresa, ela encarou Morgan de forma petrificada. Pensou em correr, mas estava fraca demais para isso. Desviou o olhar, ficando vermelha e em pânico.
— Raios, Lory... ele vai me reconhecer... — resmungou entre os dentes, virando o rosto tentando se esconder, mas já era tarde para isso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.