Cap.36: você de novo, doutor?
Hanna mal podia se mexer, presa na posição que Morgan a colocara atravessada na cama, os pés pendurados no chão. Um sentimento inominável a dominava enquanto ela revia a cena em sua mente, os braços dele ainda a envolvendo, o breve contato de seus corpos. Tudo era tão inusitado, e tudo o que ela podia fazer era fitar o teto.
Morgan entrou no quarto novamente, notando o olhar perdido de Hanna. Ela quase não o percebeu.
— Continua constrangida? — perguntou ele com calma, tirando-a de seus devaneios. Ela o encarou sem dizer nada. — Não pense demais sobre isso. O doutor Julius chegará logo.
— Não estou pensando demais... — resmungou ela, apertando os olhos. — Talvez você esteja, já que não para de falar.
— Talvez eu esteja... — suspirou ela com indiferença, o olhar ainda perdido. Hanna a observava, confusa.
O doutor chegou em menos de meia hora, examinou Hanna e pediu que ela ficasse deitada após alguns testes.
— Apenas espere o remédio fazer efeito e a leve para casa. Ela se bateu no carro, só torceu a perna um pouco.
— Tem certeza? Ela travou em cima... — ele comprimiu os lábios, constrangido. — Travou quando tentou deitar... — corrigiu-se, corando.
— Entendo. — comentou o doutor, encarando Morgan com desconfiança. — Mas está tudo bem, além dos machucados que já foram tratados. Leve-a para casa com cuidado e estará tudo bem.
— Ok... — suspirou apreensivo.
Quando o remédio fez efeito, Hanna já conseguia andar, mesmo que um pouco devagar. Morgan a esperava do lado de fora do navio e, ao vê-la se aproximar, seguiu para ajudá-la. Mas antes que pudesse segurá-la, seu celular tocou. A ligação parecia ser importante, pois ele atendeu no mesmo instante.
— Preciso que o senhor venha ao laboratório. — A voz do interlocutor era ansiosa. — Coletamos amostras de células do menino e estamos fazendo testes. Você tem que ver como ele tem reagido ao tratamento em poucos dias.
— Ok, eu não posso perder isso! — Morgan respondeu, desligando o telefone e encarando Hanna, que estava encostada na parede, observando-o.
— Eu tenho que ir a um lugar. — Ele disse, com a voz tensa. — Você pode me esperar enquanto resolvo um problema?
— Vai me deixar sozinha nesse lugar? — Hanna protestou, cruzando os braços. — E se você me esquecer? Como eu vou voltar para casa? Eu não tenho ideia de onde estou e para onde ir!
Morgan suspirou pesadamente, sem paciência para discussões.
— Não tenho tempo para isso. — Ele disse, impaciente. — Se quiser vir comigo, não tem problema.
Com isso, ele se aproximou de Hanna e, antes que ela pudesse reagir, a ergueu nos braços.
— Sim... Ela continuava suspirando, encantada com o tamanho do patrimônio e a importância que aquele lugar representava.
Assim que estacionaram, com apenas algumas palavras rápidas, alguém trouxe uma cadeira de rodas para Morgan, que ajudou Hanna a se sentar. Em seguida, ele mesmo a levou pelos corredores daquela grande instalação, extremamente moderna, com várias unidades de pesquisa, laboratórios, áreas administrativas, salas de conferência e espaços de trabalho colaborativos.
— Morgan... Uma voz eufórica o recebeu, mas hesitou quando viu Hanna e ficou confuso. — Paciente? — Perguntou o homem de meia-idade que, por acaso, Hanna já conhecia bem. Ambos se encararam tensos.
— Essa é Danica, sobrinha de Lory. Ela não é bem uma paciente, mas até que eu gostaria que você examinasse a coluna dela e me dissesse a situação, se ela precisa de cuidados especiais. — Morgan comentou em seguida, fazendo o doutor segurar o riso ao ver Hanna abaixar a cabeça em meio ao constrangimento. — Ela não está doente, só é um pouco estabanada.
— Ah... compreendo... — suspirou o doutor, abrindo espaço para que Morgan entrasse com Hanna no grande laboratório. O local era repleto de aparelhos robotizados, como se ela estivesse viajado no tempo para outra época, bem mais avançada do que a sua.
— Não se importe com as reações exageradas dela. — Morgan disse de forma irônica, fazendo Hanna lhe mostrar a língua. — A senhorita Danica não conhecia nada além de plantas até então.
— Bom... vou te mostrar algo interessante sobre o paciente... sobre os resultados dos testes. — avisou o especialista com cautela.
Morgan seguiu o especialista até o final da grande mesa com os tubos de teste e todos aqueles equipamentos de estudo. Em um computador, ele mostrou o vídeo da reação das células doentes do paciente, um resultado que o deixou animado.
— Significa que em breve ele pode acordar? — Morgan perguntou ansioso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.