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Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu romance Capítulo 151

Helen ainda sorria quando entrou novamente em sua sala. As provocações de Zoe ecoavam em sua cabeça como uma trilha sonora embaraçosa e ao mesmo tempo hilária. Depois do momento quente com Ethan e do constrangimento épico no corredor, ela só queria sentar e mergulhar em algo que a fizesse esquecer que sua cunhada provavelmente jamais deixaria aquele episódio morrer.

Ela largou o café na mesa, suspirou fundo e apoiou as mãos na barriga.

— Isso é culpa sua, sabia? — disse, olhando para baixo. — Seu pai tá descontrolado desde que soube da sua existência.

Sorriu sozinha, pegando um tablet e abrindo a agenda do dia. Mas foi então que algo chamou sua atenção.

Ela franziu a testa.

A última reunião da tarde estava marcada para às 18h, e Helen tinha certeza de que a havia cancelado dois dias antes. Era com um fornecedor específico, e ela se lembrava bem de ter enviado o e-mail de re-agendamento, inclusive tinha recebido confirmação da outra parte.

— Estranho… — murmurou.

Clicou na notificação. A reunião constava ativa, no mesmo horário, mesmo assunto, mesmo local. Mas não havia o e-mail de resposta, nem rastro da alteração anterior.

— Deve ser falha do sistema.

Levantou para pegar a agenda física. Sim, ela ainda usava papel, principalmente agora, grávida, com a memória oscilando como uma montanha-russa. Mas ao abrir a gaveta onde guardava o caderno encapado de couro, o espaço estava vazio.

Helen congelou.

— Ué…

Fechou e abriu de novo. Olhou em outras gavetas, na bolsa, sobre a mesa, no arquivo.

Nada.

— Eu… deixei aqui ontem. Tenho certeza.

Fechou os olhos, tentando lembrar da noite anterior. Tinha ido embora com Ethan, sem pressa, após revisar alguns contratos. E antes de sair… sim, ela lembrava: fechou a agenda e a colocou na gaveta. Mas agora, ela não estava lá. Seu coração acelerou por um segundo. Uma leve onda de inquietação subiu pelo peito.

— Pode ser que eu tenha esquecido na sala do Ethan…

Tentou se convencer disso, mas algo no fundo, aquele instinto que havia pulsado forte no restaurante, sussurrou outra coisa.

Alguém esteve ali.

Mais tarde, já com o expediente terminando e a maior parte da equipe deixando o prédio, Helen voltou à sala de Ethan, dessa vez mais contida. Ele estava ao telefone, discutindo números com alguém do setor financeiro, mas ao vê-la, ergueu a mão em sinal de pausa.

— Precisa de mim, minha senhora? — perguntou com aquele tom brincalhão que usava quando estavam sozinhos.

Helen sorriu, mas havia algo em seu olhar que não era só leveza.

— Eu… você viu minha agenda? Aquela de couro marrom?

Ethan pensou por um segundo.

— Não. Por quê?

— Ela sumiu da minha gaveta. E hoje, uma reunião que eu tinha cancelado voltou pro sistema como se eu nunca tivesse tocado nela.

Ele imediatamente ficou sério.

— Você acha que alguém mexeu nas suas coisas?

— Eu não tenho certeza. — ela respondeu, mordendo o lábio. — Mas o jeito como sumiu, sem lógica… me deixou com um pressentimento ruim.

Ethan deu a volta na mesa e segurou as mãos dela.

— Isso tem a ver com o que você sentiu no restaurante?

Helen assentiu.

— Não quero parecer paranóia, mas… desde aquele dia eu sinto que tem algo errado.

— Você não está sendo paranoica. — ele disse com firmeza. — Eu conheço seu instinto. E se ele está te dizendo algo, então precisamos ouvir.

Pegou o celular e fez uma ligação rápida.

Do lado de fora, na escuridão do estacionamento subterrâneo, Miranda estava sentada no banco de trás de um carro alugado. As mãos seguravam o caderno encapado de couro. O nome “Helen” estava escrito delicadamente na lateral inferior, quase como uma assinatura silenciosa.

Ela passou os dedos pelas páginas, lendo anotações, datas, lembretes pessoais. Pequenos recados escritos à mão, corações desenhados ao lado de “USG com Ethan”, lista de nomes para o bebê, coisas como “comprar chocolate quando estiver de TPM”, “ligar para o papai”.

— Que vidinha adorável… — ela murmurou, com um sorriso venenoso. — Que rotina perfeita.

Fechou a agenda devagar e a colocou de volta na mochila preta.

— Vamos ver como você se sai quando o chão começar a desabar.

A primeira peça estava no tabuleiro, e ela nem precisou abrir a porta para fazer Helen estremecer.

Helen chegou em casa no início da noite. Ethan a levou até o quarto, fez questão de preparar um banho morno com lavanda e ainda serviu chá de camomila com bolachas de aveia que Zoe havia enviado com um bilhete provocativo:

“Pra acalmar a mente… e não o fogo, tá? Já chega de escritório, cunhadinha.”

Helen riu quando leu, mas depois ficou em silêncio. Enrolada na toalha felpuda, sentou-se na cama com o olhar distante.

— Ethan…

— Hm?

— E se isso tudo for coisa da minha cabeça?

Ele sentou ao lado dela, pegando as mãos dela entre as dele.

— Helen… você é a pessoa mais centrada que eu conheço. Se você acha que tem algo errado… então tem. E a gente vai descobrir. Juntos.

Ela se inclinou e o abraçou. Mas por mais calor que sentisse nos braços dele, o arrepio não foi embora, pelo contrário, algo dizia que aquele era só o começo e pela primeira vez, Helen teve medo não só pelo bebê, mas pela própria paz.

Porque alguém estava entrando… devagar, silenciosa, sorrindo nas sombras. E esse alguém… queria muito mais do que uma vingança.

Queria tudo.

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