Sala de Estar
Alguns Minutos Depois
A luz amarelada do corredor criava sombras suaves ao longo das paredes enquanto Helen tentava caminhar em linha reta, mesmo que suas pernas ainda tremessem um pouco. O cabelo, antes perfeitamente arrumado, agora estava levemente desgrenhado, e o batom fora retocado às pressas com os dedos, com mais fé do que técnica.
Ethan vinha logo atrás, o sorriso sacana colado nos lábios, a camisa com metade dos botões abertos e o peito ainda arfando discretamente, como quem saía de uma maratona deliciosa. Os olhos azuis brilhavam feito os de um adolescente em plena travessura noturna.
— Helen… — ele disse em um tom arrastado, puxando-a pela cintura novamente, colando o corpo no dela — eu não terminei o que comecei naquela mesa. Ainda tenho outras maneiras de te dar prazer.
— Ethan Carter, pelo amor de Deus! — ela se virou, rindo nervosa e lhe dando um tapa no peito. — A gente quase foi pego! Você tem noção do que teria acontecido se alguém abrisse aquela porta?
— Teria aprendido umas boas lições de vida — rebateu ele, divertido. — Tipo: o amor é como vinho. Quanto mais velho, melhor e mais intenso.
— Você não tem um pingo de vergonha na cara! — murmurou entre risadas, tentando arrumar a saia do vestido e recompor a dignidade que restava.
— Nenhum pingo — respondeu ele, colando os lábios no pescoço dela. — Na verdade, tenho orgulho. Eu tenho uma esposa gostosa, apaixonada e que grita o nome do marido como se estivesse em um filme pornô.
Helen tapou a boca dele com a mão, gargalhando e envergonhada.
— Ethan! Cala a boca!
— Eu te amo desesperadamente, Helen. Principalmente depois de ouvir você dizer “me fode mais forte” com aquela voz rouca…
— ETHAN!
Mas o universo, cruel como sempre nos momentos mais inoportunos, decidiu castigar os dois naquele exato instante. Quando cruzaram o arco da sala de estar, a visão que tiveram foi… simplesmente devastadora.
Ali, no sofá, empilhados com cara de estátuas vivas, estavam David, Tiago e Tomás.
Todos paralisados. Todos em silêncio absoluto. Todos com o mesmo olhar de “nós ouvimos absolutamente tudo e agora estamos marcados para sempre”.
Helen travou no lugar como se tivesse colado os pés no chão. Os olhos dela se arregalaram como se tivessem visto um fantasma nu dançando can-can. A boca se abriu, depois se fechou, depois se abriu de novo. E então ela apenas… congelou.
— Não… — sussurrou, quase sem voz. — Não… isso não tá acontecendo…
Ethan olhou para os meninos e, por dois segundos, pareceu ponderar a situação. Até que… caiu na gargalhada.
— Ah, não… — gemeu David, levando as mãos à cabeça. — Eu não acabei de ouvir os meus pais se pegando… isso não aconteceu!
Helen deu dois passos para trás, como se estivesse buscando um buraco no chão para se esconder.
— Eu pensei… eu juro que pensei que vocês estivessem dormindo! — disse ela, com a voz aguda, o rosto rubro, e as mãos tentando esconder as marcas de beijo no pescoço.
— A gente tava indo pegar refrigerante, só isso — tentou justificar David, completamente derrotado. — Só… refrigerante…
Tomás não conseguia dizer uma palavra. Ele apenas encarava o chão como se fosse a coisa mais interessante do universo. Tiago, por outro lado, estava com um sorrisão estampado no rosto. Completamente encantado.
— Nossa, tio Ethan… eu sou seu fã!
— Quê? — Helen girou o pescoço devagar, em choque.
Ethan arqueou a sobrancelha com orgulho e disse:
— Finalmente alguém reconhece o talento da velha guarda!
— Você é tipo… o sonho de qualquer homem! Ainda apaixonado pela esposa, mandando ver no meio da madrugada… — Tiago riu, batendo palmas em câmera lenta. — Respeito total!

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