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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 170

Capítulo 170

Mariana Bazzi

Soltei a pedra.

Ela caiu com um baque surdo ao lado do corpo disforme de Sidnei, coberto de sangue, vômito e fezes. Meus dedos ainda estavam sujos, duros, trêmulos — mas não de arrependimento. Era o corpo tentando entender o que a alma já havia decidido há tempos: acabou. Pelo menos, essa parte.

Virei o rosto para ver Ezequiel.

Estava impecável. Terno escuro, expressão grave e olhar... orgulhoso.

Ele caminhou até mim sem pressa. Passou por entre os soldados da Strondda e da Kim, que abriram caminho com respeito.

Ezequiel parou diante de mim. Me olhou dos pés à cabeça — sangue, terra, pedras, arame ainda no chão.

E então... sorriu apenas para mim.

— Você fez o que ninguém mais teria coragem, Mariana. Aprendeu, treinou até conseguir ficar boa o bastante para o que pretendia e conseguiu. Fez por você, pela sua mãe, pelas mulheres que ele destruiu e pelas que ele nunca mais vai tocar.

Ele virou-se para os demais.

— Hoje, diante das Famílias Strondda e Kim, testemunhamos o fim de uma era de impunidade. Mariana Bazzi é uma das mulheres mais fortes que já conheci. — E ergueu meu queixo com delicadeza. — E é a minha mulher. Que isso fique claro. A dama da Zion, Aquela que não pude deixar partir e nunca vou me arrepender.

Todos os presentes — da velha guarda da máfia Kim aos soldados da Strondda, os Dons — inclinaram a cabeça, reconhecendo. Nenhum ousou contestar. Apenas balançavam a cabeça com orgulho e bateram palmas novamente.

— Agora vamos pra casa. Você precisa descansar. — Ele me envolveu com os braços, firme, protetor, como se nada do que eu tivesse feito manchasse quem eu sou. Pelo contrário. Era como se tivesse limpado minha alma.

Fui acolhida por ele, literalmente. Ezequiel me ergueu nos braços com naturalidade. Meu corpo cedeu ao dele com alívio. Finalmente, eu podia parar de lutar.

Enquanto me levava até o carro, sussurrei:

— Quero lavar as mãos… lá fora mesmo. Não quero entrar com isso no carro.

Ele assentiu, e assim que chegamos à lateral do veículo, um dos soldados já corria com uma garrafa de água e um pano. Me ajoelhei ali mesmo, tirei o sangue da pele com força, com raiva. Mas no fundo… era libertação.

Levantei o rosto, já respirando melhor.

— E levem a Iris também. — Pedi, com a voz ainda rouca. — Quero ela com a gente. Hoje.

Ezequiel não hesitou.

— Aaron! Cuida disso agora. Traga a garota. Ela vai pra nossa casa, com proteção total. Leve no seu carro, por favor.

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