Capítulo 172
Sara
— Sara?
A voz dele soou firme, como sempre. Mas não era fria. Não era invasiva. Só... direta. Ezequiel nunca falava mais do que precisava. E quando falou meu nome, eu congelei por reflexo — ainda nos braços de Aaron, nossos rostos tão próximos que ele mal teve tempo de afastar a mão da minha cintura.
Me virei, sentindo o sangue subir até as orelhas.
— Sim, Don? — respondi, firme, mesmo com a alma fazendo piruetas por dentro.
Ezequiel ergueu uma sobrancelha, mas o tom que usou foi completamente inesperado:
— Como estão os cachorros?
Demorou um segundo inteiro pro sentido da pergunta chegar ao meu cérebro.
— O... quê?
— Os cachorros, Sara. Os Rottweilers. Os meus. Tô perguntando dos cães, não do Aaron. Já pode soltá-lo — E, com um sorrisinho maroto no canto da boca, virou-se e apontou com a cabeça.
— Ah... Os cachorros, claro. Estão muito bem — me afastei de Aaron.
— Posso ver como estão?
Dei uma risada abafada. Não consegui evitar. O alívio foi tanto que pareceu arrancar um peso das minhas costas. Aaron também soltou o ar, relaxando os ombros.
— Claro. Vem comigo — Aaron foi para outro lado.
Caminhamos até o canil adaptado na lateral do jardim. Era um espaço grande, com sombra, grama alta e espaço de sobra. Os dois Rottweilers já estavam soltos, correndo pelo espaço como se tivessem nascido ali. O cão de Ezequiel, estava deitado sob uma árvore, respirando devagar. Tranquilo como o próprio Don, quando ninguém se aproxima.
— Estão bem ambientados. — comentei, abrindo o portão só até a metade. Um deles veio até mim com a língua de fora, pulando nas minhas pernas. — Parece que entenderam que estão seguros agora.
Ezequiel apenas observava com aquele olhar que tudo analisava, mas sem julgamento.

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