Capítulo 182
Mariana Bazzi
Minha mãe se aproximou como quem não quer nada, com um sorriso leve no rosto e um pão de queijo nas mãos.
— Come, filha. Tá quentinho ainda. Nina ficou toda feliz em ver você aqui com elas. — estendeu um prato pra mim, mas só de olhar meu estômago embrulhou de novo.
— Não tô com fome, mãe. Só vou pegar uma água — disfarcei, apertando os lábios.
— Mariana... — ela me lançou aquele olhar de quem já me conhece mais do que eu mesma. — Tá tudo bem?
— Claro que sim — respondi automaticamente, caminhando até a cozinha. Mas o enjoo não passava. Peguei o copo, abri o filtro, bebi devagar. E ela veio atrás.
— Fala comigo — insistiu, encostando na pia ao meu lado. — Você ficou estranha do nada. E nunca recusa pão de queijo.
Suspirei.
— Eu só... talvez o que a Emily falou tenha mexido comigo. Desencadeou algum gatilho, não sei. Foi um dia intenso, sabe? Muita coisa pra resolver. Talvez eu só tenha exagerado ontem com o trabalho, dormi mal com o que aconteceu com a Luciana. Coisa boba, mãezinha.
Antes que minha mãe pudesse dizer algo, ouvi a voz suave e firme da doutora Samira vindo logo atrás:
— Mariana... não é isso.
Virei para vê-la. Ela havia parado no batente da porta, com os braços cruzados, mas o olhar atento de médica experiente.
— O quê?
— Não é gatilho emocional, querida. Você já passou por essa fase. E bem, está centrada, segura, lúcida. Isso é físico. Já considerou que pode estar grávida? — Franziu a sobrancelha.
Meu coração disparou.
— Grávida? — repeti, quase sem voz, como se a palavra tivesse caído no chão e rachado em mil pedaços.
Samira sorriu com delicadeza.
— Ué? Já mora com o Don há algum tempo... é jovem, saudável, sem uso de anticoncepcional fixo que eu saiba, porque vive esquecendo. Seria perfeitamente normal. Esses enjoos, a sensibilidade, a falta de apetite... está tudo se encaixando.
Minha mãe arregalou os olhos, surpresa. Eu fiquei paralisada por um instante.
— Isso... não pode ser. Pode? — mas a voz saiu fraca até pra mim.
— Podemos fazer um teste daqui a pouco, se quiser. Sem alarde, sem ninguém saber — Samira disse, cuidadosa.
Engoli em seco. A ideia me atingia como uma onda. Parte de mim queria rir, a outra... Fazer o teste imediatamente.
— Tá. Mas por favor, não espalhem. Eu só trabalhei demais ontem. Passei por muito estresse. Pode ser isso, vamos com calma.
Samira assentiu com um aceno compreensivo.
— Claro, com calma. Mas... talvez a vida esteja querendo te dar um novo motivo pra respirar mais fundo. Uma nova vida trás vida, trás alegria, Mari.
Assenti, tentando sorrir, mas dentro de mim, tudo se embaralhava.
E se fosse verdade?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir