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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 186

Capítulo 186

Narrado por Soraya

Tadinha da Iris.

Ela é tão… burra. Acredita em tudo. Qualquer palavra que pareça sincera, qualquer lágrima forçada, qualquer abraço. Bastou meia dúzia de frases ensaiadas e um sorrisinho tremido pra ela baixar a guarda como sempre fez.

Quando me viu limpando o canil, já estava vencida. Olhava pra mim como se eu tivesse mudado, como se a Soraya de antes tivesse desaparecido. Não desapareci. Só sou mais inteligente agora.

Fiquei de olho em cada detalhe. No toque dela no celular, no movimento da digital… e no momento certo, quando ela virou pra perguntar algo ao soldado idiota na porta, eu peguei o telefone e fiz exatamente o que planejei por anos.

Enviei a mensagem para o número que papai criou pra emergências. Aquela linha de socorro direto, onde só ele ou o meu futuro marido teriam acesso.

“Código vermelho. Estou pronta. Localização enviada.”

O retorno veio menos de um minuto depois.

Hikato respondeu.

“Chego em 10 minutos. Esteja pronta ou morre.”

Eu sorri. Não planejei minha vida inteira pra casar com um japonês, mas a gente se adapta. E quando o japonês em questão é o herdeiro de um dos clãs mais antigos da Yakuza, tudo muda de figura.

O nome dele pode não ter poesia, mas o império dele... ah, esse sim é digno de mim.

Vou ser a dama japonesa, praticamente a dona da Yakuza.

Enquanto Iris se sujava comigo, limpando banheiro, eu já tinha seduzido o soldado que nos acompanhava a dias. Um olhar, uma inclinação da cabeça, um toque no ombro. Os homens sempre foram previsíveis. Ainda mais quando se promete o que eles mais querem.

Quando ele me ajudou a sair do cômodo, agradeci com aquele ar submisso que eles adoram. Me despedi da bobinha da Iris com um sorriso doce, tranquei a porta por fora e deixei ela lá, no banheiro, trancada e confusa. Coitada.

No jardim, senti o vento bater no rosto como liberdade. O portão já podia ser visto, Aaron não estava ali, o soldado havia cuidado disso. Meu noivo estava perto. Era só ser rápida. Ele cuidou da segurança, corri atravessando entre as árvores. Veriam nas câmeras depois, mas seria tarde demais. Eu já estaria com os olhos chatos.

Mas o idiota do soldado hesitou. Começou a perguntar demais.

— Você vai morar comigo? Onde vamos ficar?

Não tive escolha. Um sorriso, uma promessa de um beijo que nunca seria dado, e roubei a arma da cintura dele num movimento rápido, certeiro.

Dois tiros. Um no peito, outro na cabeça.

— Nunca, jamais, seu pobre idiota.

Caiu como um saco de carne.

Mas antes que eu conseguisse correr, ouvi um grito.

Iris. Caralho! Ela estragaria tudo com o escândalo. Como foi que fugiu do banheiro?

Ela tinha conseguido arrombar a porta ou algo do tipo. Até que tá ficando esperta.

Chegou com os olhos arregalados, sem entender.

— Soraya não estraga tudo agora. Volta comigo.

Tentei pensar rápido.

Apontei a arma pra ela, que congelou.

— Não faz isso, Soraya… — disse ela, tentando manter a calma. — Me escuta. Não precisa fugir assim. Volta comigo.

— Ah, irmãzinha… você é tão doce. — me aproximei, usando o tom meloso que ela conhecia. — Mas você não vai me impedir. Aliás, talvez você seja útil.

Antes que ela pudesse reagir, a puxei pelos braços e a empurrei pro carro que acabava de frear no portão.

Era o carro do Hikato. Ela não se opôs, acabou entrando. Talvez estivesse com medo de morrer.

Enfiei Iris no banco de trás, sentando ao lado dela com a arma apontada.

— Vamos, amor — falei ao motorista. — Tenho um presente pra você.

E então olhei para Iris, que tremia, em choque, e sorri.

— Quem sabe você não me rende uma boa grana antes da lua de mel?

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