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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 35

Capítulo 35

Ezequiel Costa Júnior

Meu sangue fervia nas veias. Isso não pode ser possível...

— Porque veio até aqui? Por que veio, porra!? — perguntei furioso enquanto arrastava Mariana até o portão de saída.

— Me solta! Eu vou onde quiser! — ousou me provocar.

A puxei e vi a porra da mulher que se diz "doutora" dela, atrás. Quando chegamos no estacionamento, eu fiquei enlouquecido.

— Vá pra puta que pariu, Samira! No meu carro você não entra!

— Mas e a Mariana? Como...

— Volte como veio. Desaparece! — dei as costas a ela, bati com a porta e entrei no carro, pisando fundo, cantando pneu. Enquanto a imagem da tal médica sumia das minhas vistas e os malditos filhos da puta, paravam de olhar pra Mariana.

O carro rugia enquanto eu pisava fundo no acelerador, como se a velocidade pudesse calar o caos que tomava conta da minha cabeça. Mariana sentada ao meu lado, tensa, respirando rápido, mas sem dizer uma palavra. Eu queria gritar. Queria explodir. Queria que ela nunca tivesse aparecido naquele maldito lugar.

Ela desafiou minha autoridade. Encarou meus homens. Me enfrentou na frente de todos — e com a porra da pulseira da minha mãe no pulso.

Aquela merda me corroía por dentro. Porque eu lembrava, eu mesmo mandei fazer com o ourives que meu pai confiava. Design exclusivo. Fecho em formato de flor-de-lis. Um presente pra mulher mais importante da minha vida. E agora, ela... Mariana... a usava.

Pisei no freio tão forte que o carro quase rodou. Estacionei de qualquer jeito num canto da estrada, o coração explodindo dentro do peito.

— EM QUE CIRCUNSTÂNCIAS VOCÊ CONSEGUIU ESSA PULSEIRA? — rugi, virando pra ela com o corpo inteiro.

— Você me deu! — ela gritou de volta, com os olhos marejando, mas sem baixar o olhar. — Disse que eu estaria segura. Que a gente encontraria minhas irmãs. Que tudo ficaria bem!

— MENTIRA! — bati no volante, o som seco do couro estourando no silêncio. — ESSA PULSEIRA É ÚNICA, ENTENDE? Foi feita pra minha mãe! Eu mandei fazer, Mariana! Eu lembro disso!

— Pelo que soube a equipe toda tem! Eu não estou entendendo. Até seu Consigliere anda com a pulseira da sua mãe? — me questionou. Ergui seu pulso.

— Essa não é como nenhuma outra. O fecho é em formato de flor-de-lis. Ouro branco no meio. Como conseguiu ela? Estava no cofre!

Ela me encarou, descrente. A respiração dela ficou mais rápida, o rosto queimando de raiva.

— É MESMO?! — gritou, abrindo a porta com um tranco. — Vai se foder, Ezequiel! Você tá me chamando de ladra agora? De mentirosa?

Ela saiu do carro e bateu a porta com tanta força que ecoou pela estrada vazia. Atravessou a frente do carro, me encarando com o punho cerrado. Fui atrás dela.

— Volta aqui!

— Eu vou provar! — cuspiu as palavras. — A doutora tem imagens da câmeras, não todas, mas deve ter alguma prova. Eu descobri essa semana. Você vai ver! Você vai se lembrar ou vai engolir as palavras por ser idiota!

O sangue martelava nos meus ouvidos. Não pensei. Só agi.

Alcancei ela em dois passos. Encostei seu corpo contra o carro, com as mãos nos cabelos dela, bagunçando tudo enquanto meu peito arfava.

— Se eu te dei essa pulseira... — murmurei entre os dentes — ...então você é mais importante pra mim do que eu pensava. Você é minha, Mariana. Minha. Está me entendendo? Chega de me evitar! Chega de dizer mentiras!

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