Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 38

Capítulo 38

Mariana Bazzi

Eu respirei fundo, tentando me acalmar, enquanto o barulho da água preenchia o banheiro. Ele estava ali, tão perto... e agora, sem camisa... sem nada.

Minhas mãos tremiam levemente quando entreguei o kit de higiene para Ezequiel. Queria desviar o olhar, mas parecia impossível. O corpo dele era absurdo. Ombros largos, peito definido, aquele abdômen com linhas fundas, como se tivesse sido esculpido em pedra. Nem parecia real.

Fiquei ali, parada, até que ele apontou para a poltrona no canto do banheiro com a voz rouca, sem tirar os olhos de mim, para que eu sentasse.

Sentei, rígida, sem saber direito onde enfiar as mãos ou como controlar a batida acelerada do meu coração. Quase desejei que ele pedisse outra coisa. Qualquer coisa. Porque isso... isso parecia tortura.

Acompanhei sem querer, cada movimento dele. O jeito que passava o sabonete sobre o próprio corpo, os músculos contraindo, os respingos de água deslizando por ele... Foi ficando cada vez mais difícil fingir que nada estava acontecendo.

Engoli em seco. A cada segundo que passava, era como se eu estivesse derretendo por dentro, mas forcei uma expressão neutra. Fingi que era tudo normal. Como se estivesse assistindo a algo absolutamente corriqueiro — e não me consumindo de desejo.

Ezequiel passou a mão pelo pescoço, pelo peito, até o abdômen, e a espuma se formava em pontos estratégicos antes de ser levada pela água.

Fechei a mão sobre o tecido da calça do meu pijama, como se isso pudesse controlar o calor que subia pelo meu corpo.

Ezequiel terminou de lavar o cabelo e, num movimento casual, ficou em pé na banheira.

Minha respiração parou. Eu vi. Vi tudo.

Senti meu rosto queimar. Me obriguei a desviar os olhos, mas foi tarde demais. A imagem já tinha gravado na minha mente. E, pior, imaginei — mesmo sem querer — como seria se um dia eu escolhesse estar com um homem. Não por obrigação. Não por medo. Mas porque eu queria.

Fechei os olhos e afastei rápido aquela ideia. Não, Mariana. Não começa. Isso é outra história.

— Me alcança a toalha? — ele pediu, a voz rouca, me tirando dos pensamentos proibidos.

Levantei num pulo, tentando fingir que estava tranquila, que não tinha acabado de encarar algo que não devia. Peguei a toalha na prateleira, sem olhar diretamente pra ele, e entreguei de lado, como se o chão fosse a coisa mais interessante do universo.

Era só o efeito do banho, da intimidade, da tensão.

Ezequiel aceitou a toalha com um sorriso meio de canto, como se soubesse exatamente o que estava se passando dentro de mim.

— Se estiver cansada, pode ir se deitar — disse, secando o cabelo com a toalha grande. Seus fios pretos caíram sobre o rosto e a água escorreu levemente por sua pele.

Nem pensei duas vezes. Virei e saí quase correndo para o quarto.

Me joguei na cama, de bruços, o rosto enfiado no travesseiro, tentando apagar da memória tudo que eu tinha acabado de ver — e sentir. Focar apenas nos detalhes de cortes que vi, causados pelo acidente.

Mas era inútil. Ele estava marcado em mim agora. Cada detalhe.

E eu sabia que, cedo ou tarde, Ezequiel Costa Júnior ia me obrigar a enfrentar isso.

Me mantive respirando fundo embaixo do cobertor, quando ouvi a porta do banheiro abrir.

Meu coração quase pulou da garganta.

Ele estava vindo.

Fechei os olhos com força, como se pudesse fingir que dormia, mas claro que não enganei ninguém.

— Tá acordada, bonequinha? — ouvi a voz baixa dele, cheia de ironia.

Antes que eu pudesse responder ou inventar qualquer desculpa, senti o colchão afundar do meu lado.

Ele sentou. Encostou em mim.

Meu corpo inteiro ficou em alerta, a pele formigando sob o tecido fino do pijama.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir