Capítulo 39
Mariana Bazzi
Acordei no meio da madrugada, o quarto bem claro, a luz acesa.
Meu coração ainda batia acelerado, como se eu tivesse sonhado com algo proibido — ou como se o próprio quarto estivesse impregnado daquele calor sufocante que eu tentei ignorar antes de dormir.
Virei o rosto devagar sobre o travesseiro... e o vi.
Ezequiel estava deitado de costas, o lençol enrolado apenas na metade das pernas, deixando o resto do corpo totalmente exposto. A toalha? Tinha sumido. Meu peito apertou.
Ele dormia com uma expressão tranquila, quase inocente, o que parecia uma contradição absurda com aquele corpo esculpido que agora eu podia ver sem nenhuma barreira.
O peito subia e descia devagar, e a linha do abdômen — aquele "V" hipnótico que sumia para onde eu não devia olhar — parecia ainda mais definida sob a luz suave.
Senti meu corpo inteiro reagir. A pele formigando, o pijama leve roçando no lugar errado, despertando sensações que eu mal sabia nomear, mas que agora eram impossíveis de ignorar.
Mordi o lábio, hesitando.
A distância entre nós era mínima. Um movimento e eu podia tocá-lo. Mas eu sabia que não podia.
Sabia que... isso era perigoso.
Fechei os olhos com força, tentando me controlar, tentando convencer meu corpo a voltar para o estado de calma. Não adiantou.
Minha mão, como se tivesse vontade própria, deslizou devagar por dentro do elástico do meu pijama.
Primeiro a ponta dos dedos, depois a palma inteira. Arfei baixinho, mordendo ainda mais o lábio.
Me toquei devagar, com delicadeza, como se estivesse descobrindo um território proibido — e, de certa forma, era isso mesmo.
Meus quadris se moveram sutilmente contra minha mão, buscando mais.
Fechei os olhos de novo, deixando a sensação me invadir. Era errado, loucura, mas era inevitável.
A imagem dele ali, tão perto, tão bonito, tão meu e tão inacessível... queimava dentro de mim.
Soltei um suspiro baixo quando a ponta dos meus dedos encontrou exatamente onde eu precisava, desenhando círculos lentos, cada vez mais ousados.
O calor se espalhou rápido, um fogo que eu não sabia mais controlar.
Meu corpo tremia inteiro, e era como se, naquele momento, eu estivesse apenas sentindo. Nada mais. Nada de passado, de medo, de culpa. Só o desejo.
Meus olhos abriram por um instante, e vi Ezequiel se mover no colchão. Ele murmurou algo incompreensível, se virando de lado — ficando ainda mais exposto. De frente pra mim.
Eu deveria parar, mas meus dedos aceleraram instintivamente.
Não consegui impedir um gemido baixinho de escapar, abafado contra o travesseiro.
E então aconteceu. Ele abriu os olhos e me viu.

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