Capítulo 72
Mariana Bazzi
Quando ouvi aquela frase — “ela chamou por você” — meu coração parou por um instante. Olhei para Ezequiel tentando decifrar qualquer reação no seu rosto. Se ele já foi apaixonado por essa mulher... Se ela voltar e ele se lembrar de tudo... Eu corro o risco de perdê-lo?
Mas, para minha surpresa, ele apenas suspirou, coçou a cabeça como se aquilo fosse mais um incômodo do que algo urgente, e respondeu com a voz grave e serena:
— É tarde, Sara. Você deveria estar descansando depois de um tiro. Nem lembro dessa mulher. Amanhã ou depois eu vejo o que faço sobre isso. Peça para os médicos continuarem cuidando. Boa noite.
Fechou a porta, como se tivesse acabado de negar um convite qualquer e voltou para mim.
Minha mente fervilhava. Será que ele só acha que não lembra? E se for apenas um bloqueio? E se, ao ver o rosto dela de novo, algo despertar dentro dele? Eu não posso correr esse risco... Não agora, não depois de tudo que vivi.
Ele voltou para a cama devagar, o corpo musculoso desenhado na penumbra do quarto. O vi deitar e me olhar com aquele mesmo brilho que fazia meu corpo inteiro reagir. Tomei coragem. Toquei seu peitoral com minhas mãos ainda trêmulas de medo. Ezequiel sorriu, fechou os olhos por um segundo e murmurou:
— Hm... Estou gostando disso... Mas pode contar o que queria me dizer, meu anjo.
Eu congelei por um instante. Era a deixa perfeita. Eu deveria contar sobre o Consigliere, sobre o que sei, sobre o que realmente está acontecendo... Mas não consegui. Em vez disso, sorri, me aproximando mais e deixando meus dedos deslizarem até a barriga dele, sentindo cada linha daquele abdômen definido.
— Só ia dizer que... eu te quero novamente — murmurei, quase num sussurro.
Ele virou o rosto para mim, abriu um sorriso mais largo, e o brilho nos olhos ficou mais intenso.
— E eu gosto quando você me quer assim. De verdade. É bom sentir suas mãos em mim dessa maneira, bonequinha.
Minha mão percorreu mais devagar seu corpo. Eu o queria por inteiro essa noite. Queria que cada pedaço dele se lembrasse de mim, se apegasse a mim. Se aquele fantasma do passado voltasse, eu queria que ele pensasse em mim antes de tudo.
— Como você gosta de ser tocado, Ezequiel? — perguntei, com voz baixa e quente.
Ele riu de leve, quase rouco:
— Desde que seja você... Pode fazer o que quiser comigo — puxou a calça com a cueca e tudo. Olhei seu corpo sensual, seu pênis ereto.
Então eu fiz. Me entreguei a ele com intensidade, com desejo, com medo também. Mas mais do que isso — com amor. Um amor que, mesmo cheio de dúvidas, queria ser suficiente para mantê-lo aqui. Comigo.
Eu o observava, sentindo meu coração bater com força a cada beijo que dei em sua pele. Minhas mãos, antes tímidas, começaram a explorar cada linha do corpo dele. O peito firme, a barriga definida... Eu o tocava devagar, absorvendo tudo, como se quisesse guardar na pele cada detalhe.
Ezequiel fechava os olhos às vezes, soltava pequenos suspiros e sussurrava palavras que me faziam estremecer:
— Assim... Isso... Você me deixa louco, Mariana...
Eu não dizia muito. Apenas sorria, mordendo o lábio, e continuava.
Acariciei cada marca da sua pele, seu abdômen formado com tantos músculos discretos. Olhei para minhas mãos escorregando nele. Estar com Ezequiel é tão diferente de tudo que vivi.
Seu semblante satisfeito fazia meu corpo arrepiar. Eu queria sentir, queria ver seu rosto me dizendo que estava gostando, que só queria a mim.
Deslizei meus dedos por suas coxas, subi novamente até o abdômen, e senti o arrepio dele quando coloquei a mão em seu pênis, subi e desci bem devagar, apertando, sentindo, explorando. Aquilo me deu coragem. Subi sobre ele devagar, os joelhos ao lado de seu corpo, seu pênis duro roçando em minha entrada. Foi tão diferente.
— Vou te contar um segredo... — murmurei, inclinando-me para beijá-lo no queixo — Nunca estive em cima de um homem antes... Não como estou agora...
Os olhos dele se abriram, arregalados, surpresos. A boca entreaberta.
— Mariana... — sussurrou, ofegante — Você vai me matar...
Sorri, encostei minha testa na dele.

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