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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 73

Capítulo 73

Mariana Bazzi

O dia amanheceu.

Eu estava deitada sobre o peito de Ezequiel, ouvindo seu coração bater devagar, constante. Era como se meu próprio corpo ainda estivesse tentando entender tudo o que aconteceu. A noite tinha sido intensa — mais do que física, emocional. Eu me entreguei por completo. E ele... ele me tomou com carinho, com desejo e algo mais que eu não sabia nomear.

Minhas mãos ainda descansavam sobre sua pele morna quando senti seus dedos passeando pelo meu cabelo. Ele estava acordado.

— Mariana... — ele começou, com a voz baixa e rouca de sono. — Me responde uma coisa.

— Hm...

Levantei o rosto, e o encarei. Seus olhos estavam abertos, escuros e intensos como sempre, mas havia algo ali que eu não reconhecia. Uma inquietação. Um brilho diferente.

— Você... casaria comigo?

A pergunta bateu em mim como um susto. Sem alarde, mas profundo. Meu coração acelerou. Meus olhos se arregalaram sem querer. Eu não sabia o que responder.

— Ezequiel... — sussurrei, sentando na cama e puxando o lençol contra meu corpo nu. — Isso é sério?

Ele também se ergueu, apoiando-se nos cotovelos. O olhar nunca saía do meu.

— Muito sério. Eu quero você comigo, Mariana. Aqui, nessa casa, na minha vida. Não quero mais te ver dividida entre o medo e a dúvida. Eu quero que o mundo saiba que você é minha mulher.

Engoli seco. Parte de mim se aqueceu por dentro com aquela declaração. Mas outra parte... se retraiu.

— Ezequiel... você vive num mundo de regras, tradições, homens da máfia... Vocês não se casam com mulheres como eu — fui clara.

— Mulheres como você? — ele franziu a testa, se aproximando. Tocou meu rosto com delicadeza. — O que isso quer dizer?

— Eu não sou pura — soltei de uma vez, como se aquilo me queimasse a boca. — Eu fui usada, quebrada, vendida. Você sabe disso. Você viu.

Seus olhos se tornaram sérios, mas não se afastaram. Ele segurou meu rosto com mais firmeza.

— E daí? Isso muda o que você é? Você acha que eu me importo com isso? — sua voz saiu firme, quase dura. — Mariana, você foi vítima. Você sobreviveu. Você se reconstruiu. Isso faz de você mais forte do que qualquer mulher que já conheci. E na Zion Triade... — ele sorriu de lado, quase com orgulho — ...sou eu quem dita as regras.

Minha respiração ficou presa no peito.

— Então... você pode casar comigo?

— Eu quero casar com você. Mas não precisa ser agora. Não estou pedindo data nem vestido. Só quero saber se, um dia... você poderia dizer sim. Quero você como a mulher da casa. A mulher que governa ao meu lado. Que comanda, cuida, e é temida, respeitada. A mãe dos meus filhos, se você quiser isso. Mas, principalmente... a minha escolha.

Fiquei em silêncio por um longo tempo, sentindo cada palavra ecoar dentro de mim. Era como se o chão tivesse sumido, mas eu não estivesse caindo. Eu estava flutuando. Eu ainda tinha medo — da mulher que acordou, do passado dele, do meu próprio — mas, por um instante, tudo parecia possível.

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