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Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 78

Capítulo 78

Mariana Bazzi

Ezequiel estava pálido. O olhar distante, o corpo tenso, as mãos trêmulas. O tipo de tensão que não vem de uma dor física qualquer — era como se o passado tivesse explodido dentro da mente dele.

— Ezequiel, você está me preocupando... Me diz que está tudo bem!?— insisti, tentando alcançar seus olhos, mas ele parecia ver algo muito além de mim.

Então ele me olhou. Os olhos dele encontraram os meus com uma intensidade que quase me fez perder o fôlego.

— Eu me lembrei... — murmurou, a voz falha, como se as palavras ainda estivessem se formando dentro dele.

— Lembrou do quê exatamente? — perguntei, sentindo o coração acelerar no peito.

— Lembrei de tudo — por um momento fiquei muito feliz. Ele agora vai voltar onde paramos naquele almoço, sabe exatamente quem sou. O problema foi o medo que me atingiu... Ele também lembraria da mulher que acordou do coma. Como ficariam as coisas?

Mas ele me puxou num abraço forte, quase desesperado. Um abraço que parecia querer costurar cada pedaço quebrado entre nós. Suas mãos tremiam nas minhas costas, o corpo dele pressionado contra o meu como se tivesse medo que eu desaparecesse.

— Eu não acredito que isso aconteceu. — Ele sussurrou contra o meu cabelo. — Que eu te fiz sofrer... justo eu? Quando tudo o que eu queria era te proteger. Te amar. Conquistar cada sorriso seu... e ao invés disso, te fiz passar por tudo isso por causa da maldita perda de memória.

Me afastei só o suficiente pra tocar seu rosto. Ele estava quente, com a pele esticada por emoções que pareciam prestes a transbordar.

— Ei... — falei com a voz firme, mesmo que meu coração estivesse batendo alto demais. — Tá tudo bem, Ezequiel. Eu tô aqui. O que a gente passou... não apaga o que sentimos. O meu coração já é seu, sempre foi.

Ele fechou os olhos.

— Você diz isso... e eu não sei nem como aceitar. — ele murmurou, encostando a testa na minha. — Porque agora eu lembro. Lembro do vestido. De você com ele, de mim… olhando, escondido. A tatuagem da rosa… você sempre teve. E eu… sempre soube que você era diferente.

— Escondido? Quando? — estranhei.

Então ele me encostou no carro. O toque foi delicado, mas cheio de uma urgência silenciosa. Sua mão subiu até meu rosto. Seu corpo se aproximou do meu, e por um instante, o mundo inteiro pareceu parar de girar.

— Me beija — ele pediu, a voz baixa, quase um sussurro engasgado. — Por favor, me beija. Eu preciso... preciso saber que isso tudo é real. Que eu te tenho. Que você é minha. Que você já foi minha, mesmo quando eu era só um maldito mafioso filho da puta.

Olhei pra ele e vi o homem inteiro ali: despido de máscaras, de títulos, de vinganças. Era só Ezequiel. Com toda a dor, amor e verdade que ele carregava.

— Eu sou sua, Ezequiel — sussurrei, antes de encostar meus lábios nos dele.

O beijo foi intenso, desesperado, cheio de lembranças que finalmente voltavam ao lugar certo. Como se nossas almas, mesmo feridas, estivessem reencontrando o caminho uma para a outra. Senti que realmente estava beijando o mesmo homem de antes. Aquele que me salvou, que me levou pra almoçar, cuidou de cada detalhe para que a androfobia não vencesse.

Nenhum passado apagaria o que tínhamos.

Porque mesmo com a dor, a ausência e o esquecimento...

Nós sempre nos pertencemos.

O rosto de Ezequiel parecia dividido entre desespero e alegria. Ele me abraçava como se tivesse reencontrado algo precioso que achava ter perdido pra sempre — e talvez fosse exatamente isso. Quando sussurrou que se lembrava de tudo, senti uma pontada de medo, mas logo vi nos olhos dele um brilho que não via há tempos.

— Eu me lembrei, bonequinha… eu me lembrei de você inteira.

Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele fechou a porta do carro com um baque surdo e me puxou pela mão com pressa. Me conduziu até os arbustos no jardim lateral da casa, onde a sombra das folhas filtrava o sol, criando desenhos verdes e dourados no chão.

— Eu sei como você gosta do verde. Gosta daqui de fora — Ele falava enquanto caminhava apressado, como se as palavras queimassem em sua garganta. — Eu me lembro. Meu Deus… o maracujá!

Ele parou de repente, me olhando com os olhos arregalados, emocionados.

— Você me devolveu aquele maracujá, Mariana… Eu nunca soube se aquilo que eu lembrava era real. Se era mesmo você nos meus braços, assustada, depois sorrindo pra mim… Eu me convenci de que tinha sido só um delírio, mas agora eu sei! Era você. Sempre foi.

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