Entrar Via

Aquela que o Don não pôde deixar partir romance Capítulo 77

Capítulo 77

Ezequiel Costa Júnior

Esperei Mariana adormecer.

A respiração dela aos poucos ficou mais lenta, ritmada. O choro havia cessado, mas eu sabia que o peito dela ainda estava cheio de cicatrizes mal fechadas. Ela dormia agarrada à barra da minha camiseta, como se temesse que o pesadelo voltasse se me afastasse.

Soltei o celular do bolso sem fazer barulho, levando até o rosto. Me levantei devagar, me afastando só o suficiente para não acordá-la, e disquei para Mauro. Ele atendeu no segundo toque.

— Já levou o filho da puta pro galpão? — minha voz era fria, direta.

— Don... não. — Mauro respondeu, e o silêncio que seguiu me fez apertar os olhos. — Ele sumiu. Já fomos até o endereço que ele usava como esconderijo, o cassino que costuma ficar e até a casa dele está vazia.

— Sumiu? Como assim? — rosnei. — Ele sabia que estavam atrás dele?

— Não até onde sei. Foi tudo meio estranho. Não levou nada, só desapareceu. Mas vou fazer uma varredura completa. Ele não vai longe.

— Faça isso. Se vire, ache esse desgraçado. Eu quero ele respirando só o suficiente pra se arrepender de cada dia que viveu. — Desliguei antes que ele respondesse.

Fiquei olhando pro nada por alguns segundos, tentando conter o veneno que queimava na garganta.

Me lembrei da mulher que fui ver essa manhã. Seu rosto é familiar, mas não consigo lembrar dela. Quando acordou fui ver a Mari e então não pude conversar com ela. Vai ficar pra outro dia.

Me virei pra cama e vi Mariana dormindo. Os traços cansados, o rosto ainda marcado pelas lágrimas. Aquela mulher já tinha passado pelo inferno. E o diabo que causou isso ainda andava livre por aí.

Respirei fundo e voltei pra cama, ajeitando o lençol sobre ela com cuidado. Toquei levemente seu rosto com o dorso dos dedos, como se com aquele gesto eu pudesse apagar as dores antigas.

— Ele vai pagar, bonequinha — sussurrei. — Eu juro que vai.

---

Quando ela abriu os olhos, piscou devagar, confusa por alguns segundos. Depois me encontrou ali, sentado na beirada da cama, observando-a em silêncio.

— Dormiu bem? — perguntei, acariciando sua perna com o polegar.

— Não sei — respondeu com um sorriso fraco. — Mas dormi. E isso já é alguma coisa.

Me inclinei e beijei sua mão.

— Vou te levar pra almoçar num lugar diferente hoje. Já é tarde, mas lá funciona o dia todo.

— Tá, mas... — ela olhou pra si mesma — preciso de uma roupa. Acho melhor passarmos em casa antes, pode ser?

— Tem certeza de que tá bem pra isso? — acariciei seu rosto.

— Eu tô. — Mariana assentiu com firmeza. — Não vou deixar ele tirar mais nada de mim.

Aquela resposta me deu ainda mais certeza de que ela era a mulher mais forte que eu já conheci.

— Então vamos, bonequinha. Mas só porque você pediu. — Sorri de lado. — E porque eu quero ver você matando a pau com seu salto alto e aquele olhar que congela qualquer um.

Ela deu uma risadinha baixa, e por um instante, vi luz de novo nos olhos dela.

Mas no fundo, eu ainda ardia. E o pai dela, onde quer que tivesse se escondido, não ia escapar por muito tempo. Porque agora era pessoal.

.

Antes mesmo de sair com Mariana, mandei uma mensagem no grupo dos funcionários da casa:

"A partir de agora, ninguém se dirige à Mariana. Sem olhares, sem perguntas, sem interações. Ela fala se quiser. Vocês, não. É uma ordem."

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir