Capítulo 80
Yulssef
Empurrei a porta do quarto com força, os dedos cravados no braço de Raquel. Ela reclamou, mas ignorei. Tudo estava desmoronando ao meu redor e ela… ela só piorava as coisas com aquela cara de interrogação, como se não soubesse o que estava acontecendo. Me irrita.
— Yulssef, o que você tá fazendo? Tá me machucando! — disse ela, tentando se soltar.
Tranquei a porta. Bufei. Respirei fundo, mas era como tentar apagar um incêndio com um copo d'água.
— Eu preciso descarregar. E você vai me ajudar com isso e vai fazer o melhor boquete da sua vida — rosnei, indo até a cômoda.
Ela recuou um passo, hesitante.
— Por quê? O que eu fiz pra você estar assim? Você não era assim comigo antes... Doeu meu braço.
— Cala a boca, Raquel — rebati, sem olhar. Puxei a gaveta e tirei o que precisava. Quando me virei, ela estava tensa, os olhos arregalados. — Você não passa de mais uma vadia do Ezequiel. Tá ferrada igual eu. A diferença é que eu ainda tenho liberdade e dinheiro. Posso sumir quando quiser. E se você não fizer exatamente o que eu mandar… vou te deixar aqui, sozinha. Quando ele descobrir tudo vai te jogar pro cachorro dele, como fez com seu irmão.
Vi a cor sumir do rosto dela. A ameaça surtiu efeito.
— Não diz isso, por favor. Até meu irmão, o Aaron, tá desconfiado. Me encurralou ontem, me pressionou com perguntas. Você não pode me deixar sozinha nessa, Yulssef! Aquele cachorro me odeia!
Me aproximei, frio.
— Então prova que ainda serve pra alguma coisa. Chupa meu pau até eu gozar. — Mostrei o tecido na minha mão — E fica de costas que vai chupar de mão amarrada.
Ela hesitou, vacilou, mas fez o que mandei. Amarrei bem, ela virou pra mim novamente e caiu de joelhos.
O controle sobre esses suburdinados era tudo o que me restava. A tensão em meu corpo me corroía por dentro.
Raquel apertou os lábios no meu pau assim que abri o zíper. A cachorra sabe como fazer. Mesmo assim, por mais que ela tentasse, por mais que eu mandasse, meu corpo respondia apenas pela metade.
E o medo dela… aquele olhar assustado… deveria me satisfazer.
Mas tudo o que eu sentia era raiva.
Raiva do Ezequiel. Raiva de Raquel. E, acima de tudo, raiva de mim.
— Mais rápido vadia!

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