Capítulo 81
Ezequiel Costa Júnior
Mariana terminou de comer em silêncio. Me olhava o tempo todo, estava linda com seus cabelos voando pelo rosto.
Foi quando me lembrei que havia um culpado por eu ter tratado ela assim depois do acidente e levantei, ajeitando o paletó.
— Chame suas irmãs e fiquem à vontade. Eu preciso resolver um assunto urgente.
Ela me olhou, preocupada.
— Assunto... urgente?
— Aquele maldito Consigliere não vai viver por muito mais tempo.
Os olhos dela se arregalaram. Um alívio silencioso escorregou pelos lábios.
— Então… você também lembrou dele?
— Sim. E me arrependo de não ter agido antes. O maldito vêm rindo da minha cara, mas isso acaba aqui.
Ela hesitou, mordendo o lábio.
— Ezequiel, eu não contei antes, mas… foi ele. Foi ele quem me atacou no quarto. Me ameaçou mais de uma vez. Me prendeu naquele esconderijo outro dia. Eu tive medo de falar… ele mostrou uma foto. Minhas irmãs estavam presas, amarradas. Disse que se eu contasse, nunca mais as veria.
Meu sangue ferveu.
— Por que não me contou isso antes, Mariana?! — avancei um passo, mas parei. Respirei fundo, controlando o impulso de destruir algo — ou alguém — ali mesmo.
— Eu fiquei com medo. Ele parecia ter tudo planejado. Disse que você confiava mais nele do que em mim…
Desviei o olhar por um instante. Aquilo era verdade — ou tinha sido. Eu mesmo coloquei Yulssef ao meu lado, dei a ele tudo. E agora?
Agora ele usaria isso contra mim.
— Eu vou resolver isso agora mesmo — falei, firme. — Mauro, Aaron e Avelar vão cuidar da casa. E eu... vou tratar de Yulssef pessoalmente.
Mariana assentiu.
— Se cuida — disse ela, antes de se afastar.
— Claro minha bonequinha...
Atravessei o corredor, fui até a sala principal. Meus olhos vasculharam o ambiente com desconfiança até que vi Yulssef, parado perto do escritório. Como se não tivesse feito absolutamente nada. Maldito traidor.
Senti o estômago revirar de ódio.
Mariana voltou dois passos, mas parou. Seu olhar cruzou com o dele.
— Sobe, Mari. Vai pro quarto com suas irmãs — pedi, sem tirar os olhos do traidor — Te encontro depois.
Ela obedeceu, mas o olhar era tenso, demorado.
Esperei ela subir. Quando ouvi a porta do andar de cima fechar, aproximei-me de Yulssef e falei com um sorriso contido:
— Temos que conversar. Entra comigo.
Ele hesitou por um segundo. Mas sorriu de volta — aquele sorrisinho cínico.
— Claro, Ezequiel. Sempre às ordens.
Abri a porta do escritório e deixei ele passar na frente.
Mal sabia ele que estava entrando na própria cova.
Fechei a porta atrás de nós com um estalo surdo e caminhei até ele com calma. Mas a calma durou pouco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aquela que o Don não pôde deixar partir