Capítulo 23: Ainda Não Acabou
Laura
Eu fiquei parada no meio da sala, o eco das palavras dele ainda reverberando no peito como um tapa que não para de doer. Enzo dormia pesado no colo de Ethan, o rostinho relaxado contra o ombro do homem, alheio à tempestade que se formava ao redor.
Rafael estava na minha frente, olhos cinza escuros de raiva contida, celular apertado na mão como se fosse uma prova irrefutável de traição. O ar estava denso, pesado, cheio de coisas não ditas que pesavam mais do que qualquer palavra.
Eu respirei fundo, tentando manter a voz firme, mesmo com o nó na garganta.
— Rafael… desculpa. Meu celular morreu no meio da tarde. Eu não vi a hora passar, não vi suas chamadas. Ethan só nos trouxe de volta. Não foi nada além disso. Foi só uma tarde no shopping com Enzo. Ele estava feliz, rindo, brincando. Eu não pensei em avisar porque… porque eu não achei que precisava justificar cada minuto do meu dia.
Ele ergueu uma sobrancelha, tom cortante, voz baixa mas afiada.
— E o celular do Ethan também morreu? Ou ele simplesmente esqueceu que tem um telefone? Você não poderia ter pedido emprestado para me avisar? Ou arrumado outra forma de falar comigo? Enzo é meu filho, Laura. Meu. E você o levou embora sem dizer uma palavra.
Ethan pigarreou, desconfortável, ajustando Enzo no colo.
— Rafael, relaxa. Meu celular estava no silencioso. E por algumas horas até esqueci da existência dele. Foi minha culpa também não pensar em avisar. Mas eles estavam comigo o tempo todo. Foi só diversão para o menino. Não precisa transformar isso em algo que não é.
Rafael nem olhou para ele. Os olhos estavam cravados em mim, como se eu fosse a única responsável pelo mundo inteiro desabar.
Enzo resmungou no colo de Ethan, acordando devagar, esfregando os olhos.
— Papai…
Rafael estendeu os braços imediatamente. Ethan entregou o menino com cuidado. Rafael o pegou no colo, mas não olhou para o filho. Olhou para mim.
— Senhorita Mendes, acompanhe-me para fazer seu trabalho.
As palavras me acertaram como um tapa. “Seu trabalho.” Como se tudo que vivemos, os beijos roubados, as noites em que ele me levava à loucura, os “eu te amo” sussurrados no escuro, não existisse. Como se eu fosse só a babá contratada, uma peça substituível. Meu peito queimou. A raiva subiu quente pela garganta, misturada com uma dor que eu não esperava sentir tão forte.
Antes que eu pudesse dar o primeiro passo para fora, uma mão forte agarrou meu braço. Rafael me puxou com força, me jogando sobre o ombro como se eu fosse peso morto.
— Rafael! — protestei, batendo nas costas dele. — Me solta!
Ele não respondeu. Caminhou pelo corredor com passos decididos, me carregando como se eu não tivesse escolha. Enzo nem acordou. Elena estava na cozinha, longe dali.
Ele abriu a porta do quarto dele com o pé, entrou e fechou com força. Trancou por dentro. Depois me jogou na cama. Eu caí no colchão, o ar saindo dos pulmões.
— Você está louco? — gritei, me apoiando nos cotovelos.
Ele ficou em pé ao lado da cama, olhando para baixo, olhos escuros de raiva e algo mais profundo.
— Você vai ficar bem quietinha aí e me ouvir!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
não cosegui ler...