Ao sair do quarto de Ava, Hector caminha até o seu com passos duros, o maxilar travado e o coração em chamas. Assim que entra, b**e a porta com força, como se aquele gesto pudesse calar a sensação sufocante de impotência que o domina.
Sente-se de braços atados diante dela… como se não tivesse mais controle de nada.
Nervoso, passa a mão pela barba, tentando conter a raiva e a frustração que crescem no peito. Em seguida, se senta na beira da cama, inclina o corpo para frente e respira fundo, como se o simples ato de puxar o ar fosse suficiente para reorganizar os pensamentos.
— Você não pode perder o controle da situação, Hector. Não pode… — sussurra para si, como se tentasse convencer a própria alma de que ainda tem o poder de reverter tudo.
Ainda sentado na beira da cama, ele permanece alguns minutos em silêncio. A frustração pesa. A cabeça lateja.
Então, levanta-se num impulso e caminha até o banheiro. Tira a roupa, abre o chuveiro e entra sem pensar duas vezes, deixando que a água quente escorra por seu corpo como se pudesse lavar, com ela, o peso das últimas horas.
Fica ali por longos minutos, de olhos fechados, tentando esvaziar a mente… mas tudo o que consegue ver é o rosto de Ava — frio e intocável.
Depois do banho, veste uma roupa leve, passa as mãos pelos cabelos ainda úmidos e, mais calmo, desce as escadas rumo à sala de jantar. A casa está silenciosa, mas há um cheiro suave vindo da cozinha e a luz da sala de jantar está acesa.
Ao entrar, seu olhar se fixa imediatamente na mesa posta. E ali está ela.
Sentada à mesa, já servida, com uma postura impecável e expressão neutra. Ava veste um robe claro, e a luz suave destaca ainda mais seus traços serenos, embora seu silêncio grite.
Ela não levanta os olhos quando ele entra.
Então ele para na porta por um instante, como se buscasse algum sinal de abertura.
— Posso me juntar a você? — pergunta, com a voz baixa.
Comendo uma garfada da salada e, ainda sem erguer o olhar, ela responde:
— A casa é sua.
Ele caminha até a cadeira à sua frente e se senta. O som dos talheres e pratos preenche o silêncio que os cerca.
Enquanto serve as travessas com cuidado sobre a mesa, Doris observa com atenção a movimentação entre os dois. Algo está fora do lugar. O silêncio entre o casal não é casual, é tenso demais para passar despercebido.
— Por que não se senta conosco, Doris? — Ava pergunta de repente, erguendo os olhos para a governanta.
Surpresa com o convite, Doris hesita.
— Obrigada, Ava… mas prefiro comer na cozinha.
Arqueando uma sobrancelha, Ava finge naturalidade, mas a voz vem mais cortante do que deveria.
— Por quê? Por acaso, o seu chefe impõe isso para você?
A pergunta paira no ar como uma indireta sutil.
Hector, até então calado, levanta os olhos com firmeza. A frase não apenas o atinge, ela o atravessa.

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