Já fazia tanto tempo que Ava não acordava se sentindo tão bem, que permaneceu alguns minutos deitada, apenas saboreando a leveza do momento. Hector saiu cedo para o trabalho, mas antes disso, deixou um beijo suave em sua testa e prometeu que, no horário do almoço, ninguém os atrapalharia.
Pensar nele a faz sorrir sem perceber. Por mais que tente resistir, já se sente completamente entregue e isso a assusta, mas também a faz se sentir viva.
O toque do celular a faz voltar à realidade. Quando vê o nome do pai na tela, atende de imediato.
— Bom dia, querida. Atrapalhei seu sono? — Ethan pergunta, com a voz tranquila.
— Bom dia, pai. Não, eu já estava acordada.
— Que bom, meu amor. Você vem aqui em casa hoje?
— Não sei… por quê?
— Tenho uma surpresa para você — responde ele, animado.
— Uau, eu amo surpresas!
— Então estamos te esperando — diz ele, antes de encerrar a ligação.
Ava se levanta mais animada, toma seu banho e se prepara com calma. Assim que sai do quarto, encontra Estelle no corredor. Para sua surpresa, a moça também parece de bom humor.
— Bom dia, Estelle.
— Bom dia, Ava.
— Como está sua mãe? — pergunta, tentando demonstrar alguma preocupação.
— Ainda se queixa de dor. Disse que não vai sair do quarto hoje.
— Que bom… — responde sem pensar, mas logo se corrige. — Digo, não pela dor, claro…
— Eu sei — Estelle se adianta. — Na verdade, estou até aliviada. Com ela fora de cena, acho que posso aproveitar melhor o dia.
Com cumplicidade, Ava sorri e aquilo lhe dá uma ideia.
— E o que você pretende fazer?
— Nada de especial. Pensei em ir até a biblioteca do Hector procurar algum livro para me distrair.
— Que tal vir comigo? — sugere.
— Ir com você?
— Estou indo à casa dos meus pais agora. Como só volto a trabalhar na próxima semana, pensei em aproveitar o dia. Depois podemos dar uma volta, fazer umas comprinhas…
— Ah, eu não sei… Não quero incomodar.
— Você não vai incomodar. Sou eu quem está te convidando. Te espero lá na sala, combinado?
Estelle sorri, tímida, mas lisonjeada. Concorda com a cabeça e volta para o quarto.
Ao abrir o guarda-roupa, fica parada por um instante. Nenhuma das roupas parece bonita o suficiente. Sempre se vestiu daquele jeito, mas hoje se sente deslocada. Lembra-se de Ava elegante no corredor e deseja, por um momento, se parecer um pouco com ela.
Sem opções, escolhe um de seus vestidos floridos, simples, mas alegre. Prende os cabelos com cuidado e passa um pouco de perfume.
Pensa em avisar a mãe que vai sair, mas logo desiste. Sabe que, se entrar naquele quarto, ouvirá um sermão ou será impedida de sair. Então, pede discretamente a Doris que avise caso Margot pergunte por ela.
[…]
Ava estaciona o veículo em frente à casa dos pais com um sorriso no rosto. Estelle, no banco do passageiro, observa tudo com olhos curiosos e um certo encantamento discreto.
— Não precisa ficar tímida — Ava diz, percebendo o nervosismo da prima do marido. — Meus pais vão adorar você.
Elas descem do veículo e caminham até a porta. Antes mesmo de tocarem a campainha, a porta se abre, revelando Ethan com um sorriso largo.
— Minha princesa! — ele exclama, abrindo os braços para receber Ava em um abraço apertado.
— Oi, pai! — ela responde, se aconchegando nele por alguns segundos.
Logo em seguida, Rafaela aparece no hall, igualmente sorridente.
— Que bom que veio, querida.
— Eu trouxe companhia — Ava diz, puxando Estelle com delicadeza. — Essa é a Estelle, prima do Hector.
— Seja muito bem-vinda, Estelle — diz Rafaela, simpática. — Fique à vontade, a casa também é sua.
— Obrigada — Estelle responde com um sorriso tímido.
— Agora venham — Ethan fala, animado. — Temos algo para mostrar.

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