Já era madrugada, e todos haviam voltado para a mansão Moreau. Estelle se despediu de Mark com um sorriso que parecia impossível de conter, ainda mais após ouvi-lo dizer, diretamente, que queria vê-la novamente. Aquilo fez seu coração disparar.
Já Ava, por outro lado, subiu as escadas com passos calmos, controlados… Sabia exatamente o que a aguardava assim que Hector se despedisse do amigo e cruzasse a porta do quarto.
No bar discreto que havia em um dos cômodos da casa, Hector serve uma dose generosa de sua bebida preferida e oferece outra ao amigo, que aceita com um sorriso animado no rosto.
— Pelo jeito, parece que a minha prima te agradou — comenta Hector, erguendo a sobrancelha enquanto se encosta no balcão.
Soltando uma risada leve, Mark percebe que é impossível disfarçar a verdade.
— Agradou muito — confessa. — A Estelle é doce, delicada, tímida… nem parece que é parente sua — provoca, com um olhar malicioso.
Sentindo a provocação, Hector rebate:
— Está querendo dizer que sou o quê? Um ogro?
— Eu diria… intenso demais para ela — responde, dando um gole na bebida. — Mas funcionou. Ela me encantou de um jeito que eu não esperava.
— Isso eu percebi — diz Hector, sorrindo de lado. — Só não magoa a garota. A Estelle é sensível, e por mais que a mãe dela seja um espinho, a filha é uma flor.
— Eu jamais faria isso. É justamente essa doçura que me prende.
Sentindo firmeza na voz do amigo, Hector ergue o copo e declara:
— Então que seja o começo de algo bom… e que Margot não os atrapalhe de modo algum.
Eles brindam, rindo, como se compartilhassem um segredo prestes a virar problema.
— Eu não me importo com a sua tia — rebate Mark, com segurança. — Se a sua prima estiver mesmo disposta, ela vai saber se impor. Às vezes, basta uma única decisão para mudar tudo.
— A Estelle é muito na dela… — comenta, pensativo. — Não sei se ela teria coragem de bater de frente com a mãe.
— Espero que tenha — diz Mark. — Porque, sendo bem sincero, eu quero que isso funcione.
Um pouco surpreso com a convicção do amigo, Hector o encara.
— Já está assim?
— Eu sou bem direto quanto ao que me agrada. Você devia ser assim também.
Dando um gole na bebida, Hector sorri.
— Eu estou tentando, tudo bem?
Mais sério, Mark inclina levemente a cabeça.
— Eu vi… — confessa. — Embora a conversa com a Estelle estivesse me prendendo, não pude deixar de notar que você e a sua esposa pareciam se entender muito bem.
Hector não responde de imediato. Apenas observa o fundo do copo, como se ali houvesse a resposta.
— Sim, estamos. E quero fazer de tudo para nada estragar esse momento.
— Então faça direito — aconselha Mark, com a sinceridade de quem conhece o amigo há tempo demais. — Por que, sinceramente? Não é todo dia que alguém como a Ava se deixa conquistar de novo.
Meio nervoso, Hector sorri.
— Eu sei. E dessa vez… eu não vou deixar escapar.
— E vai começar por onde? — Mark pergunta, cruzando os braços. — Porque, sinceramente, você precisa correr contra o tempo. Tem muita coisa mal resolvida… muita mentira no caminho.
Desviando o olhar por um momento, Hector suspira.
— Eu sei… — admite, mexendo no copo em mãos. — Mas… será que a gente pode não falar disso agora?
Entendendo o desconforto, Mark o encara com um meio sorriso.

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