Entrar Via

Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 166

Eles permanecem abraçados por um longo tempo, como se estivessem colando os cacos de tudo o que o orgulho e o silêncio haviam quebrado. Ethan afaga os cabelos da filha com carinho, e ela se permite descansar por alguns minutos naquele colo que tantas vezes desejou, mas que não teve coragem de procurar.

Depois de um tempo, ainda com a cabeça encostada no ombro do pai, ela murmura, hesitante:

— Pai… o que eu faço agora? Como devo prosseguir?

Ethan afasta-se apenas o suficiente para olhar em seus olhos. Seu semblante está mais sereno, mas atento.

— Antes de te dizer qualquer coisa, filha… preciso entender. Preciso saber o que está acontecendo com você.

Declinando os olhos, ela engole em seco. Parte dela quer se calar. Mas pela primeira vez sente que pode se abrir sem ser julgada.

Respira fundo antes de começar. No início, sua voz sai baixa, quase hesitante. Mas, à medida que as palavras ganham corpo e ela mergulha nas lembranças, sua confiança cresce. Então, revela tudo, cada detalhe do que aconteceu entre ela e Hector, desde os primeiros desencontros até o dia em que ele a procurou na casa de seus pais.

Ethan apenas escuta, com o maxilar travado e o corpo retesado. Fechando os olhos por um segundo, tenta conter a raiva que sobe em ondas. O sangue ferve e a vontade de explodir é quase incontrolável. Um nó se forma em sua garganta, e ele precisa fazer força para não deixar escapar o que realmente quer dizer.

Desgraçado. Canalha. Ele devia estar na cadeia por se aproveitar de você.

Mas antes que diga qualquer coisa, sua filha continua, agora com a voz mais emotiva:

— E o pior de tudo… é que mesmo depois do que aconteceu… — ela hesita, respirando fundo — eu ainda continuo gostando dele, pai. Quando o vi agora há pouco no hospital, senti tanta pena dele a ponto de quase esquecer tudo o que ele fez para mim.

Essa última frase quebra Ethan por dentro. Ele fecha os olhos novamente, mas desta vez é para conter não a fúria, e sim a dor. A dor de ver sua filha perdida entre o amor e a decepção.

Ele se levanta e caminha alguns passos pelo jardim, passando a mão pelo rosto. Queria gritar, xingar, culpar o mundo por não ter conseguido protegê-la. Mas volta-se para ela com o olhar mais humano e contido que consegue reunir.

— Filha… você entende a gravidade do que me disse?

Ela apenas assente com a cabeça, revelando os olhos vermelhos.

— Eu… eu queria odiá-lo, pai. Queria sentir raiva dele todos os dias. Mas eu não consigo. Ele me machucou, sim. Me enganou. Mas… também me fez sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes.

Ele observa em silêncio por alguns segundos. Depois, se aproxima novamente, ajoelha-se diante dela, segura suas mãos e diz com firmeza:

— Então, agora… mais do que nunca… você precisa ter clareza. O amor não pode existir onde não há respeito, nem verdade. E, se esse homem realmente sente algo por você, ele vai ter que provar. Não para mim. Para você.

Antes que pudesse continuar aquela conversa libertadora com o pai, o celular dela vibra em seu bolso. Era uma chamada de Frida. Ela hesita e recusa. Mas a secretária insiste, ligando novamente segundos depois.

— Preciso atender, pai… deve ser urgente — diz, se afastando alguns passos com o telefone nas mãos.

Atende com a voz tensa:

— Pode falar, Frida.

— Senhora, me desculpe ligar nesse momento, mas é urgente.

— O que aconteceu? — pergunta, já aflita.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo