Ao escutar aquilo, Ava não consegue esconder a incredulidade.
— Irmã?
— Isso mesmo — Hector confirma, olhando em seus olhos. — Helena é irmã adotiva de James. Ela manteve um sobrenome diferente, achando que assim ninguém jamais descobriria.
— Mas… por que ele nunca me contou?
— Porque a relação entre eles é nojenta — revela. — E, sinceramente, quero te poupar dos detalhes. Você não merece saber das coisas que essas pessoas faziam.
Percebendo o peso do que Hector havia descoberto, Ava apenas assente, sentindo o coração acelerar.
— Tudo bem…
— O que você precisa saber é que James e ela sempre trabalharam juntos para encobrir o fato de que ele tinha problemas de fertilidade. Durante todos esses anos, fizeram a culpa recair sobre você.
Os olhos de Ava se enchem de lágrimas, sentindo uma mistura de revolta e repulsa. Tudo aquilo agora fazia sentido. Os exames, as mentiras, a manipulação. Todo o sofrimento que passou durante anos estava agora sendo exposto do modo mais sujo e cruel.
— E mais — Hector continua, agora encarando Helena —, esse consultório aqui foi financiado com o dinheiro que James desviava das suas contas.
— Isso não pode ser verdade… — Ava balbucia, abalada.
Do outro lado da sala, o rosto de Helena perde toda a cor. O choque é evidente.
— C-como…? — ela gagueja, sem acreditar no que ouve.
— Achou mesmo que, por usarem sobrenomes diferentes, conseguiria esconder tudo isso para sempre? — Hector pergunta, com um tom cortante.
— Não pode ser.
Desviando o olhar, Hector vê o cartão da clínica abortiva ainda nas mãos de Ava. A raiva toma conta dele de imediato. Ele arranca o cartão e se aproxima de Helena com passos firmes.
— Abre a boca — ordena, com a voz baixa e cheia de ódio.
Os olhos da médica se arregalam de puro pavor, mas ela permanece imóvel, paralisada.
— Eu falei para abrir a boca! — repete, se aproximando ainda mais. Sem esperar reação, segura o rosto dela com força e a obriga a abrir a boca. Sem hesitar, enfia o cartão goela abaixo.
— Engole — ordena novamente, tampando-lhe a boca com a palma da mão.
Desesperada, Helena faz o que ele manda, engolindo o cartão entre engasgos.
— Sua sorte é que a polícia já está a caminho — rosna Hector, soltando o rosto dela. — Porque se dependesse só de mim, isso aqui não acabaria tão fácil.
O desespero nos olhos de Helena diz tudo. Ela sabe que está encurralada.
Ava observa tudo em silêncio. Por um momento, se assusta com a intensidade de Hector, já que nunca o viu daquele jeito. Mas não intervém. No fundo, sabia que nada do que ele fez chegava perto da crueldade que Helena estava tentando praticar.
— A polícia já deve estar chegando — ele diz, se afastando de Helena e se aproximando de Ava. Envolve-a nos braços com força, como se quisesse protegê-la de tudo. — Tudo o que essa desgraçada fez e mencionou… será usado contra ela.

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