Alguns dias depois, Hector está em seu escritório, encerrando mais uma reunião, quando o celular vibra discretamente sobre a mesa. Ele lança um olhar automático e vê a notificação: um novo e-mail da clínica onde Ava realizou o exame de sexagem fetal.
Seu coração acelera.
Ele pega o celular com rapidez, grudando os olhos na tela. A mão coça para abrir o e-mail, já que a curiosidade o consome por dentro, mas respira fundo e hesita. Saber o sexo dos bebês era um momento especial. Ele havia prometido a si mesmo que veria a revelação junto com a esposa, para compartilhar aquela emoção lado a lado.
Mas o impulso fala mais alto.
Ele pensa em encaminhar o e-mail para ela, talvez com um emoji misterioso… ou esperar a noite. Só que ele se conhece. Não é bom em guardar esse tipo de segredo. Ainda mais agora.
Com o coração disparado, toca na notificação e abre o e-mail. Seus olhos percorrem o texto com rapidez… até encontrar a informação.
E então, tudo ao redor parece silenciar por um segundo.
— Meu Deus… — sussurra, deixando escapar um sorriso largo e emocionado. Seus olhos brilham. Uma risada leve escapa de sua garganta e ele se recosta na cadeira, sem conseguir parar de sorrir.
A emoção é tanta que ele se levanta de súbito.
Pega o paletó, ajeita a gravata de qualquer jeito e caminha apressado em direção à porta.
— Cancele meus compromissos da tarde — diz à secretária ao passar. — Tenho uma missão importante.
— Tudo bem, senhor Moreau — ela responde, surpresa com a súbita pressa.
Hector entra no elevador com um sorriso que não cabe no rosto e só pensa em uma coisa: contar a novidade para a mulher da sua vida o quanto antes. Mas não faria aquilo de qualquer jeito, não bastava chegar em casa e contar para ela.
Ele queria marcar aquele momento. Queria vê-la sorrir de emoção.
Ele entra em seu veículo e pede que o GPS o leve a uma loja de artigos infantis. Assim que avista a loja, estaciona em frente. A vitrine, cheia de bichinhos de pelúcia, móveis em tons suaves e miniaturas de roupinhas, parece mais um mundo mágico.
Engole em seco. É um ambiente novo para ele e um pouco intimidante. Mas também encantador.
Assim que entra, um sininho toca e o ar-condicionado lhe dá as boas-vindas com um sopro gelado. Ele dá um passo hesitante, com os olhos arregalados, observando cada detalhe com genuíno fascínio. Carrinhos de bebê que parecem espaçonaves. Ursinhos com nome bordado. Macacões em tamanhos minúsculos.
— Uau… — murmura, pegando uma chupeta cor-de-rosa e rindo consigo mesmo. — Isso mal cabe no dedo mindinho.
— Posso ajudar? — pergunta uma atendente simpática, se aproximando. É uma moça de cabelos presos em um coque alto, usando um crachá com o nome “Tess”.
— Eu…, na verdade, sim. É a primeira vez que entro em uma loja assim — confessa, envergonhado.
— O senhor está procurando algo específico? — Tess sorri de um modo gentil.
— Eu acabei de descobrir o sexo dos meus filhos. Gêmeos — diz com um brilho nos olhos. — E quero preparar uma surpresa para a minha esposa. Algo bonito. Emocionante. Mas estou completamente perdido aqui dentro.
— Ah, que maravilhoso! Parabéns! — diz, animada. — E qual o time? Rosa ou azul?
Sem conter o sorriso orgulhoso, ele revela o conteúdo do exame para a vendedora, mas em voz baixa, garantindo que só ela escute.
— Uau… — diz Tess, surpresa e sorridente. — Isso é maravilhoso! Me acompanhe, vou te mostrar algumas opções perfeitas.
Ela o guia por entre prateleiras cheias de peças minúsculas e encantadoras, enquanto Hector observa tudo com olhos fascinados, como se estivesse em um universo mágico que nunca havia notado antes. Cada detalhe, dos sapatinhos aos bodies com frases divertidas, das mantinhas bordadas aos pequenos gorros de lã, parece mais encantador do que o anterior.
Seus olhos passeiam sem pressa, analisando cada canto com um cuidado inédito, até que param diante de duas peças específicas.

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