Após o almoço, Hector estaciona em frente à empresa da esposa. Antes que ela desça, a segura pela cintura, puxando-a suavemente para perto.
— Tem certeza de que não quer assumir a minha empresa também? — pergunta com o olhar travesso. — Eu poderia descansar o dia inteiro e te esperar em casa como um bom marido dedicado…
— Oh, não, muito obrigada — ela responde, rindo e já antecipando a provocação. — Se com tanto trabalho você já não me dá um segundo de paz, imagina só se passasse o dia inteiro à toa.
— Eu só ia te mimar um pouquinho — murmura, roçando os lábios no pescoço dela. — Massagem nos pés, café da manhã na cama… e, claro, te esperaria sem roupa…
Ava tenta não rir, mas falha completamente.
— Hector Moreau, você é impossível.
— E completamente apaixonado por você — ele diz, depositando um beijo delicado na testa dela.
Por um instante, ela o encara em silêncio, como se quisesse guardar aquele momento na memória para sempre: o jeito como ele sorri, o calor suave do toque em sua cintura, o brilho sincero em seus olhos.
— Ainda me parece um sonho estarmos assim… — sussurra, sentindo uma lágrima escorrer silenciosamente pela bochecha.
— Nem eu acredito — ele confessa, passando o polegar de leve pelo rosto dela para enxugar o rastro da emoção.
— Promete que não vai mudar de ideia? Que tudo isso que estamos vivendo não vai desaparecer?
— Ava, não tem como voltar atrás de algo que esperei por tanto tempo. Eu quero você. Hoje, amanhã… e todos os dias depois disso.
Tomada por um sentimento profundo, ela enxuga as lágrimas com as costas da mão, tentando disfarçar.
— Te vejo à noite? — pergunta com um sorriso tímido, antes que o choro vença de vez.
— Estarei contando os minutos — ele responde, deixando um beijo casto em seus lábios.
Hector a observa descer do carro, e só arranca quando a vê entrar no prédio em segurança. Parte com o coração aquecido..… já sentindo saudades da mulher que, pouco a pouco, tomou conta de seus pensamentos, seus dias e suas escolhas nos últimos meses.
Enquanto isso, Ava chega à empresa. Assim que atravessa o corredor e se aproxima da porta do próprio escritório, é recebida por Frida que se levanta imediatamente.
— Boa tarde, senhora.
— Boa tarde, Frida. Como estão as coisas por aqui? — pergunta, entrando em sua sala, seguida por sua secretária.
— Recebi uma enxurrada de ligações de repórteres querendo marcar entrevista com a senhora.
Com um suspiro resignado, revira os olhos.
— Ah… a vida real me chamando de volta — diz, jogando-se no sofá com um ar cansado, mas gracioso.
— Como a senhora havia orientado, informei que todas as questões estão sendo tratadas pelos seus advogados e que a senhora não comentará nada.
— Fez muito bem — Ava assente, cruzando as pernas. — E a minha agenda?
— Está limpa. Preferi não marcar nada para essa semana, já que a senhora ainda está voltando ao ritmo.
— Ótimo. E o diretor? Já foi desligado?
— Sim. O processo foi encerrado ontem à tarde.
— E a Estelle? — pergunta com um arqueamento sutil de sobrancelha.
— A senhorita Estelle não retornou à empresa há alguns dias. Como a senhora não mencionou nenhuma decisão, não tomei nenhuma providência.
Ava permanece em silêncio por um instante, refletindo. Em seguida, ergue o olhar e solicita.
— Pode ligar para ela. Peça que venha até aqui hoje mesmo. Preciso conversar com ela.
— Claro, senhora — responde Frida, já anotando no bloco à sua frente.
[…]

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