O jantar termina já tarde da noite e, apesar dos insistentes pedidos de Ava para os pais passarem a noite na mansão, Ethan e Rafaela preferem voltar para casa.
— Tem certeza? Eu já tinha preparado o quarto para vocês com todo carinho — diz Ava, segurando o braço da mãe, demonstrando claramente que não queria deixá-los ir.
— Vamos deixar para outro dia — responde Rafaela com um sorriso afetuoso. — Tenho certeza de que não faltarão oportunidades, ainda mais agora com duas crianças a caminho. Você vai precisar de reforços!
— Nem me fale, mamãe! Podemos combinar um dia para sairmos e comprarmos coisinhas para eles, o que acha?
— Eu vou amar, minha filha — responde animada. — Mesmo me achando jovem demais para ser avó, confesso que estou ansiosa para escolher os primeiros presentinhos deles.
— Você também vai conosco, Doris — diz Ava com ternura, ao notar que a mulher parecia um pouco retraída durante a despedida dos pais.
Um tanto emocionada, Doris sorri de leve.
— Claro, vou adorar ir com vocês. Quero mimar muito meus netinhos… do mesmo jeitinho que mimei o Hector.
— Só não podemos deixá-los tão mal-acostumados quanto ele — brinca Ava, soltando uma gargalhada leve, que logo contagia Doris.
Enquanto as mulheres conversam animadamente, Hector se despede de Ethan com um aperto de mão firme e respeitoso.
— O senhor é sempre bem-vindo à nossa casa, sempre que quiser — diz Hector, com sinceridade.
— Muito obrigado por tudo, Hector. Ver a felicidade no rosto da minha filha… é tudo o que eu mais desejei na vida — confessa Ethan, com um olhar comovido.
— E o que eu puder fazer para manter esse sorriso nela, tenha certeza de que farei — garante Hector.
— Saber disso já me dá paz — responde o sogro, esboçando um leve sorriso.
Antes de deixá-lo partir, Hector se aproxima um pouco mais, num gesto discreto de preocupação.
— Com todo o respeito, Ethan… percebi que, depois da brincadeira com os nomes das crianças, o senhor pareceu ficar um pouco tenso. Aconteceu alguma coisa? Houve algo que o incomodou?
Ethan hesita por um instante, surpreso por ser notado.
— Você percebeu, foi? — pergunta, abaixando um pouco o olhar. — Tentei disfarçar, mas…
— Foi sutil, mas notei. Se tiver algo que eu possa fazer para evitar que se sinta desconfortável aqui novamente, por favor, me diga.
— Não se preocupe com isso, Hector. De verdade. Tudo estava maravilhoso esta noite. Foi só uma lembrança antiga, daquelas que surgem sem aviso, sabe? Nada relacionado a vocês. Agradeço a gentileza e a preocupação.
— Tudo bem. Só queria que soubesse que estou aqui, para o que for preciso — diz, com um leve aceno.
Rafaela se aproxima, passando carinhosamente a mão pelo braço do marido.
— Vamos, amor?
— Vamos sim.
Antes de sair, ela sorri para o genro e o abraça brevemente.
— Hector, obrigada por tudo. Foi perfeito.
— Fico muito feliz que tenha gostado, sogra. Esse é só o primeiro de muitos jantares que ainda acontecerão por aqui.
Os dois acenam uma última vez antes de atravessar o hall e desaparecerem pela porta.
— Eu amei tudo, Hector — diz Ava, se atirando nos braços do marido com um sorriso radiante. — Amei cada detalhe dessa noite.
— Se a minha esposa está feliz, o que mais eu poderia querer dessa vida?
— Eu já vou me recolher — avisa Doris, com um tom doce.
— Boa noite, sogrinha! — brinca Ava, mandando um beijo no ar, ainda aconchegada no colo do marido.
— Boa noite, meus queridos. Durmam com Deus.
Ela se afasta com passos tranquilos, deixando o casal a sós na penumbra acolhedora da casa.

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