Enquanto dirige de volta para casa, Ethan lança um olhar de soslaio para a esposa ao seu lado. Rafaela está sorrindo, com os olhos brilhando de alegria, enquanto fala sobre os netos que estão por vir.
— Quem diria que nos tornaríamos avós tão cedo? De gêmeos ainda — comenta ela. — Isso deve ser um presente de Deus para acalentar tudo de ruim que aconteceu nos últimos meses na nossa família.
— Você tem razão… deve ser — repete ele, mas sua voz sai distante, quase como um sussurro abafado.
Imediatamente, Rafaela percebe a mudança em seu tom. Ela o observa, estranhando o modo como ele agora parece mais rígido ao volante.
— O que foi, amor? — pergunta, suavemente. — Você não parece tão animado quanto antes.
— Mas eu estou — rebate, num tom rápido demais, tentando parecer convincente.
— Então por que está tenso de repente? — ela insiste, preocupada. — Há algo te incomodando?
— Não — responde secamente, sem tirar os olhos da estrada.
Ela continua observando o marido em silêncio por alguns segundos. O jeito como ele aperta o volante com força, a mandíbula travada, o olhar vidrado no nada… tudo nele grita incômodo.
— Ethan… — ela chama a sua atenção.
— Eu não devia estar assim por conta disso — ele murmura, para si. — Eu devia estar aproveitando o presente e tudo de bom que está acontecendo nos últimos meses…
Inclinando-se um pouco para frente, Rafa franze o cenho.
— Ethan? — ela insiste, agora claramente apreensiva. — Do que você está falando?
Ele balança a cabeça, como se quisesse expulsar um pensamento antigo que insiste em retornar. A voz sai rouca, trêmula:
— Eu não posso continuar remoendo o passado toda vez que lembro daquela mulher…
— Ethan? — a esposa o chama novamente, agora assustada com o que começa a entender. — Você está falando da Eva?
De repente, o veículo freia bruscamente no acostamento. O cinto de segurança impede que Rafaela vá para frente, mas o susto faz seu coração disparar.
— Ethan, o que está acontecendo?! — ela exclama, com a voz trêmula e os olhos arregalados de medo.
Soltando o volante devagar, como se estivesse devolvendo algo pesado, Ethan apoia os cotovelos nele e leva as mãos ao rosto, respirando fundo.
— Por que o nome daquela mulher teve que ser citado numa noite tão importante como essa? — Ele explode, batendo com força no volante.
— Amor, ninguém sabia de nada — responde Rafaela, tentando manter a calma. — Só citaram o nome porque se parece com o da Ava. Foi coincidência.
— Coincidência? — ele retruca, com a voz rouca de raiva. — E por que, diabos, você escolheu justamente um nome parecido com o dela para nossa filha?
Seu tom elevado assusta a esposa, que arregala os olhos, sentindo o impacto da acusação.
— Ethan… — ela diz, num tom manso, pousando a mão no braço dele. — Quando escolhi o nome da Ava, eu só pensei no significado… Eu queria que nossa filha tivesse um nome que carregasse luz, esperança… Eu nunca associei ao nome da Eva. Nunca. Além disso, nunca imaginei que você saberia sobre nossa filha… — comenta com a voz chorosa.

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