À noite, o casal decide aproveitar o clima tropical e elegante da Costa Rica. Eles caminham juntos até uma charmosa galeria a céu aberto, rodeada por lojinhas sofisticadas e butiques de artesanato local.
Enquanto Ava entra em cada lojinha com os olhos iluminados, animada com cada peça de roupa ou acessório que vê para os bebês, Hector a acompanha de perto, carregando as sacolas com uma expressão divertida.
— Amor… — ele brinca, com um leve arquejo. — Não precisa comprar o enxoval inteiro hoje, vamos ficar aqui por mais alguns dias, lembra?
— Eu sei, eu sei — ela diz, sorrindo encantada. — Mas tudo é tão lindo… E se eu voltar amanhã e não estiver mais aqui? É melhor garantir!
Ele revira os olhos e sorri. Após algumas lojas, ele pede que um dos atendentes envie as compras diretamente para o resort e entrelaça os dedos nos dela.
— Agora, vamos jantar. Não aceito desculpas. Já carreguei peso suficiente para o mês inteiro — diz, fazendo-a rir.
Caminham de mãos dadas pela orla até chegarem a um restaurante charmoso, construído sobre um deque de madeira, suspenso acima das águas calmas do mar, onde uma brisa trazia o perfume salgado do oceano misturado ao aroma de flores tropicais.
Eles se sentam à mesa reservada com vista para o mar. Ava passa os dedos sobre a toalha de mesa, encantada com a beleza, enquanto ele a observa em silêncio, como se estivesse gravando cada detalhe em sua mente.
— Por que está me olhando assim? — ela pergunta, desviando o olhar do cardápio.
Apoiando os antebraços sobre a mesa, Hector se inclina um pouco mais para perto.
— Porque eu ainda não acredito que você é minha — responde com a voz baixa. — Às vezes fico olhando e me perguntando como a vida me deu você. Justamente você. A mulher mais forte, linda e magnífica que eu já conheci.
Surpresa e emocionada, Ava o encara. Ele continua, com os olhos fixos nos seus:
— Você transformou tudo em mim, Ava. Me ensinou o que é amor de verdade. E agora… — desvia o olhar brevemente para a barriga dela — … você está me dando a chance de viver o inimaginável. Essa família que estamos construindo é o maior presente que eu poderia receber.
Ela aperta a mão dele sobre a mesa, sentindo os olhos marejarem. Por um instante, nenhum dos dois diz nada. A brisa move suavemente os cabelos dela e uma música instrumental suave começa a tocar ao fundo.
— Eu te amo tanto — ela diz, baixinho. — Mais do que achei possível amar alguém.
— Eu sei — ele sorri, acariciando os dedos dela com o polegar. — E eu vou passar o resto da vida te provando que o sentimento é recíproco.
Nesse instante, o garçom se aproxima com duas taças: uma com vinho e outra com suco de frutas. O brinde é apaixonado, com um olhar cúmplice cheio de amor.
Quando voltam para o resort, a noite ainda está fresca e o céu limpo revela um manto de estrelas. A luz amarelada das luminárias do jardim guia o caminho até o bangalô onde estão hospedados, e Ava parece animada como uma criança após uma festa.
Assim que entram no quarto, ela solta um suspiro satisfeito e já começa a abrir as sacolas com empolgação.
— Ah, eu estava louca para ver tudo com calma! — exclama, tirando as primeiras roupinhas.
— Com calma? — Hector diz, fechando a porta com o pé. — Amor, a gente vai precisar de um segundo quarto só para acomodar o que você comprou. Isso aqui é um enxoval ou a nova coleção de outono de uma loja infantil?
Ela ri e j**a uma das sacolas para o lado da cama.
— Você vai ver, vai se apaixonar. Olha isso aqui, Hector! — Ela mostra um macacãozinho amarelo com o desenho de um sol sorridente. — Você consegue imaginar um dos nossos filhos com isso?
— Consigo imaginar ele escorregando de tão pequeno nesse negócio aí — provoca, fazendo-a rir mais ainda.
Ela continua tirando peças minúsculas e coloridas: bodies, touquinhas, meias com carinhas de bichinhos, babadores com frases engraçadas em espanhol e até um conjuntinho de inverno, mesmo com os bebês previstos para nascer no verão.
O quarto vai se enchendo de sacolas e tecidos fofinhos, até que quase não há mais espaço na cama.
— Amor… — Hector diz, dramático, juntando tudo num só canto do quarto como quem empurra roupas no guarda-roupa antes de uma visita chegar. — Fala sério… você não comprou nada para mim?

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