Enquanto a equipe médica conduzia Ava para a preparação da cesariana, Hector aproveita os poucos minutos sozinho no corredor e envia uma mensagem para Mark.
“Eles vão nascer. Vem para o hospital, por favor. Queria você por perto. Confio em você. Se der qualquer coisa errada, sei que vai estar comigo.”
Sem esperar resposta, ele guarda o celular, respira fundo e segue para o vestiário onde rapidamente veste a roupa hospitalar, toca e máscara. O coração batia acelerado, mas a certeza de que aquele era o momento mais importante de sua vida o mantinha firme. Assim que termina, caminha decidido até a sala onde Ava o aguardava.
Ao entrar, seus olhos logo a encontram deitada, sendo monitorada por uma enfermeira.
— Já estou aqui, meu amor — ele diz, aproximando-se e segurando a mão dela. — Vai dar tudo certo.
Ela o olha com um misto de alívio e medo.
— Eu estou com um pouco de medo… — confessa, baixinho.
— Não precisa — responde com a voz calma, inclinando-se para que ela o escutasse só com o coração. — Fecha os olhos e pede para Deus estar presente nessa sala com a gente.
Ela o encara por um instante e apenas assente.
— Tudo bem.
Ava fecha os olhos devagar e, em silêncio, faz uma breve oração. Pede a Deus que proteja seus filhos, que guie as mãos dos médicos e que encha aquela sala de paz. Em seu íntimo, entrega tudo ao céu.
Quando ela abre os olhos novamente, Hector sorri com doçura e beija sua testa, sussurrando:
— Daqui a pouco… vamos nos tornar as pessoas mais felizes do mundo.
Ela sorri de volta, com os olhos marejados.
Ao virar levemente a cabeça para o lado, nota através da parede de vidro seus pais e seu irmão, já posicionados do outro lado, observando tudo com atenção. Sua mãe lhe dá um leve aceno e manda um beijo pelo ar, enquanto seu pai, claramente emocionado, enxuga discretamente as lágrimas. Já David parece paralisado, demonstrando o quanto aquela cena o assusta.
Sentindo o coração transbordar de amor e gratidão, Ava sorri ainda mais. Tudo aquilo era novo. Intenso. Lindo.
Pouco depois, o anestesista se aproxima e se apresenta com voz calma. Explica o que vai acontecer e pede que ela se sente. Com cuidado, Ava se endireita, apoiando-se levemente no marido, que continua segurando sua mão com firmeza.
A agulha da raquianestesia a faz estremecer de leve.
— Ai…
— Está tudo bem — Hector sussurra, colando a testa na dela. — Eu estou aqui.
Ava respira fundo e, depois de alguns minutos, já deitada novamente, começa a sentir o efeito da anestesia. Logo, não sente mais nada da cintura para baixo. Apenas o calor da mão do marido sobre a sua.
Do lado de fora, Mark chega apressado, vestido de forma discreta, e se junta à família de Ava. Doris também está ali, nervosa, apoiada na parede de vidro. Ele toca no ombro de Doris com delicadeza e diz:
— Ainda bem que cheguei a tempo.
Ao ver o amigo e a mãe do outro lado do vidro, Hector lhes dá um leve aceno de cabeça, sentindo um alívio imediato no peito. Por mais que estivesse se esforçando para transmitir calma e segurança à esposa, por dentro estava em completo pânico. Nunca imaginou que viveria algo tão intenso, ainda mais para alguém como ele, que nunca se viu no papel de pai. Ver Ava prestes a dar à luz, deitada naquela sala, cercada por médicos, o fazia perceber o quanto tudo era real. Ter Mark e Doris ali, ao alcance do olhar, era como ter um ponto de apoio silencioso. E isso, naquele momento, era tudo o que ele precisava.
Dentro da sala, a equipe médica se posiciona. Tudo está pronto.
O som dos aparelhos monitorando os batimentos cardíacos, misturava-se ao ruído abafado das vozes da equipe médica, enquanto Hector permanecia ao lado da esposa, com os olhos fixos nos dela, tentando transmitir a segurança que, no fundo, ele mesmo buscava.
— Está tudo bem? — Ava sussurra, com a voz um pouco sufocada pela ansiedade.
— Está sim — ele responde, acariciando seus cabelos com carinho. — Pense apenas em coisas positivas e logo, logo, eles estarão em nossos braços.
O anestesista, posicionado atrás da cabeça dela, avisou calmamente:

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