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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 201

Assim que o médico dá a ordem, a equipe neonatal se move. O pequeno Liam é cuidadosamente colocado na incubadora portátil, rodeado por fios, monitores e mãos experientes. O choro fraco dele se mistura ao zumbido dos aparelhos, e embora estivesse vivo, sua fragilidade era evidente.

Preocupada, Ava tenta erguer um pouco o pescoço, mas seu corpo ainda estava anestesiado da cintura para baixo. Seus olhos, no entanto, estavam cheios de súplica.

— Amor… por favor, vá com ele. Fica com o nosso menino.

Ele hesita, sem querer soltá-la nem por um segundo. Mas, ao ver o desespero contido no olhar da esposa, assente, com um beijo em sua testa.

— Eu vou. Ele não vai ficar sozinho.

Antes de sair, ele volta-se uma última vez para Chloe, que dormia tranquila nos braços da enfermeira, já enrolada num cobertor.

— Cuida delas por mim — murmura, tocando a pequena e delicada mãozinha da filha.

Sair daquela sala foi, até então, a coisa mais difícil que Hector já precisou fazer na vida. Cada passo longe da esposa e filha pesava como se estivesse arrancando um pedaço de si. Não era apenas o medo pelo que poderia acontecer com Liam, era o pavor silencioso de deixar para trás sua esposa ainda vulnerável, recém-saída de uma cirurgia, e a filha nos primeiros minutos de vida.

Ele queria estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Queria segurar Ava, proteger Chloe e, ao mesmo tempo, não desgrudar de Liam.

Com os olhos marejados, caminha atrás da equipe médica que leva seu filho envolto por fios e sensores, ele solta, quase num sussurro, como quem implora ao céu:

— Meu Deus, por favor… não me abandone agora.

Enquanto segue em silêncio, com os olhos grudados na incubadora, sente uma mão firme tocar seu ombro.

Era Mark.

— Fica calmo, amigo — diz com a voz baixa. — Isso é muito comum em gestação de gêmeos. Um sempre acaba nascendo um pouco mais sensível que o outro. Os médicos estão acostumados com esse tipo de situação.

Mesmo tentando se agarrar àquelas palavras como uma tábua em meio ao naufrágio que sentia por dentro, o nó em sua garganta não se desfaz.

— Estou tentando… — responde, com a voz fraca. — Mas eu não gostei do jeito que ele chorou, Mark. Foi abafado… fraco demais. Como se ele já tivesse vindo cansado ao mundo — sussurra, sem tirar os olhos da incubadora.

Ao lado dele, Mark sabia que não adiantava dizer que estava tudo bem quando não tinha certeza. Sabia que, às vezes, o que um amigo precisava não era de palavras, era de presença.

Na UTI neonatal, Hector mantém os olhos cravados na pequena figura de Liam, tão frágil e envolta em fios que nem parece um recém-nascido. O corpinho dele mal se move. O peito sobe e desce devagar, com ajuda dos aparelhos, enquanto os médicos se movimentam com pressa ao redor da incubadora.

O som dos monitores é constante, intercalado por comandos curtos entre os profissionais.

— Saturação em 88…

— Ajusta o oxigênio. Mais dois pontos.

— A frequência continua instável.

Cada palavra técnica parece uma punhalada silenciosa em seu peito. Ele não entende tudo, mas entende o suficiente para saber que nada daquilo deveria estar acontecendo.

Liam era tão pequeno. Tão calado. E diferente de Chloe, que chegou chorando alto, enchendo a sala de vida, ele apenas emitiu um som abafado, quase como um sussurro de socorro.

Quieto ao lado dele, Mark percebe não haver palavras possíveis, só respeito pelo silêncio e pelo medo do amigo. Mesmo como médico, não poderia intervir no trabalho daqueles profissionais, que demonstravam ser bem eficientes.

— Vamos precisar entubar — diz um deles, já preparando o procedimento.

Quando escuta aquilo, ele mal consegue se manter de pé, o medo de perder o filho o consome e ele se aproxima do pequeno, com os olhos marejados.

— Senhor Moreau, por favor.

Um dos médicos da UTI vem até ele.

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