A noite está calma na mansão Moreau. A brisa leve sopra pelo jardim, balançando suavemente as folhas das árvores e fazendo a água da piscina cintilar sob a luz da lua. Sentados na varanda, Ava e Hector aproveitam um raro momento de silêncio. As crianças estão sob os cuidados dos avós e, pela primeira vez em dias após a chegada dos filhos, eles conseguem apenas… descansar.
Ava está de pernas esticadas, com uma xícara de chá nas mãos, ao lado do marido, que está observando o céu estrelado.
— Acho que vou sentir falta quando meus pais voltarem para casa — ela comenta, olhando para o vapor que sobe da piscina aquecida. — Já me acostumei com a presença deles aqui.
Virando o rosto lentamente em direção à esposa, ele comenta num tom casual.
— Se quiser, pode convidá-los para ficar por mais tempo.
Com um sorrisinho irônico, ela rebate.
— É sério mesmo que está dizendo isso? Logo você, que há um tempo reclamava que essa casa estava movimentada demais?
Hector finge pensar por um momento.
— Eu disse isso?
— Disse — ela responde, balançando a cabeça com um ar divertido. — E acho que se esqueceu porque ainda não voltamos à ativa.
Ele dá uma risada baixa e se inclina, puxando-a suavemente para mais perto.
— Você tem razão — murmura. — Quando o seu resguardo acabar, e você se sentir pronta, vamos precisar da casa só para nós.
Encostando a cabeça no ombro dele, ela ri.
— Só não esquece que agora temos duas pessoinhas que não podemos colocar para fora de casa.
— Ah, é verdade… — ele diz, fingindo um suspiro teatral. — Os nossos pequenos inquilinos.
— E inquilinos que mandam mais que os donos.
— Muito mais — ele concorda, sorrindo. — Já estou imaginando o dia em que eles irão dominar o nosso quarto e a nossa cama.
— Eu os imagino batendo na porta do nosso quarto e nos chamando de mamãe e papai — comenta. — Mal posso esperar por isso.
Eles ficam em silêncio por alguns instantes, ouvindo o som leve do vento nas plantas e das risadas abafadas vindas da sala, onde Chloe e Liam recebem a atenção dos avós. O ambiente está sereno, mas cheio de vida. Diferente da casa de meses atrás, que parecia uma prisão, cheia de segredos e mentiras.
Hector aperta levemente a mão da esposa e sussurra em seu ouvido.
— Eu não falo isso com frequência, mas… obrigado por não ter desistido de mim — diz, com sinceridade na voz.
Ela o encara com brilho nos olhos.
— Eu quase desisti, viu? — confessa com um sorriso. — Mas você foi teimoso o suficiente para me fazer ficar.
— E ainda bem que ficou. Não sei como seria minha vida sem você. Sem eles.
Emocionada, respira fundo.
— Eu também não. Às vezes, olho para tudo isso e parece que estou sonhando. Parece que foi ontem mesmo, que eu estava cheia de medo e sem expectativa nenhuma de vida e agora… — pondera, sentindo a voz falhar de tão emocionada.
— Agora você está linda, com dois filhos maravilhosos, saudáveis e com um marido que é capaz de fazer qualquer coisa por você — ele completa.
— Você faria mesmo qualquer coisa por mim? — ela provoca.
— Pode ter certeza disso.

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