Ao chegarem no hospital, Hector mal estaciona o carro e já está abrindo a porta para a esposa. Os dois caminham pelos corredores já tão conhecidos, mas dessa vez o coração b**e diferente: é alívio, alegria e ansiedade, tudo junto.
Quando entram na ala pediátrica, são recebidos com sorrisos pela equipe médica. Uma das enfermeiras se aproxima e fala baixinho:
— Podem entrar. Ele já está prontinho esperando vocês.
Enquanto atravessam a última porta, Ava aperta a mão do marido, até que vê o filho.
Liam, fora da incubadora, estava vestido com o macacãozinho azul-claro que ela havia separado dias atrás. Nenhum fio, nenhum monitor. Apenas ele, pequenininho, tranquilo, dormindo no bercinho aquecido.
— Ele está dormindo… — ela sussurra, com os olhos marejados.
— E sem nenhum aparelho — completa Hector, visivelmente emocionado.
— Um milagre — ela murmura, se aproximando com cuidado.
O médico se aproxima, sorrindo.
— Ele está bem. Respirando sozinho, com todos os sinais estáveis. Ganhou peso, reagiu melhor do que esperávamos. Ele está pronto para casa.
Levando as mãos ao rosto, ela deixa as lágrimas caírem, dessa vez de pura gratidão. Hector a abraça por trás, beijando o topo de sua cabeça.
— Nosso guerreirinho conseguiu — ele diz, com a voz fraca, segurando o choro. — E agora vai dormir em casa.
Eles se aproximam do bercinho e, com delicadeza, Ava o pega no colo pela primeira vez, sem medo, sem pressa, sem tubos entre eles.
Era só ela e o filho.
E o mundo, por um instante, parecia em paz.
Com Liam nos braços, ela fecha os olhos por um instante, sentindo o calor do filho contra o peito. Ele continua dormindo, sereno, como se reconhecesse aquele colo e soubesse que ali era seu lugar.
— Ele é tão leve… — sussurra, acariciando o rostinho dele com a ponta dos dedos. — Mas, ao mesmo tempo, parece que pesa tudo o que vivemos até aqui.
Observando a cena em silêncio, Hector não consegue esconder o quanto está emocionado. Nunca viu nada tão bonito quanto aquela imagem: Ava com Liam nos braços. Completos, finalmente.
— Quer segurar? — ela pergunta, olhando para o marido.
— Claro — ele diz, já se aproximando com cuidado.
Ela o entrega com delicadeza, e Hector recebe o filho como se estivesse segurando o mundo inteiro.
— Ei, campeão — murmura, olhando para o rostinho adormecido. — Você venceu, hein?
Liam se mexe um pouco, soltando um suspiro leve, e depois volta a dormir, encaixado perfeitamente nos braços do pai.
O médico volta com os papéis da alta e uma pequena malinha que guardava os itens usados na internação.
— Podem se preparar. Tudo está certo para levá-lo para casa.
Enxugando as lágrimas discretamente, ela sorri.
— Muito obrigada por tudo — diz ao médico. — Obrigada pela dedicação e pelo carinho que tiveram com o meu filho. Eu nunca vou me esquecer do que fizeram aqui.

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