Sentindo que o seu plano poderia desabar ali, Hector tenta se aproximar dela mais uma vez, mas é duramente repreendido.
— Eu já disse para não tocar em mim — brada Ava, se levantando com dificuldade. — Você é um mentiroso! Eu li as notícias, estão todos atrás de mim, enquanto você me mantém presa, como se fosse um objeto.
— Você não sabe o que está falando — Hector rebate. — Isso vai muito além do que você imagina.
— E o que acha que eu imagino? — Os olhos dela começam a lacrimejar de desespero. — Eu acordei na sua casa, sem memória, e você disse que era o meu noivo, me mostrou fotos e tudo e eu acreditei, afinal, no que eu iria me apoiar se não fosse você, já que ninguém havia ido me visitar?
— Ava, vem comigo, vamos conversar em outro lugar — ele pede com calma.
— Eu não vou a lugar algum com um homem como você — ela diz decidida.
— Ava, para com isso e vem agora mesmo, ou… — insiste.
— Ou então o quê? — pergunta, cortando a fala dele. — O que você pretende fazer comigo, me diz? Vai me matar? — zomba. — Afinal, isso não daria em nada, não é mesmo? Já que toda a minha família está imaginando que estou morta.
— Você tem razão — Hector concorda, ficando impaciente. — Mas, ao contrário do que pensa, não farei nada — responde, virando o rosto e lançando um olhar para Mark, que está parado na porta. — Me ajude a levá-la para o quarto — pede.
— Não toquem em mim, estão me ouvindo? — ela volta a dizer com firmeza. — Nenhum de vocês pode encostar em mim, ou eu vou gritar.
— Vai gritar para quem? — Hector ironiza. — Mandei isolar esse andar já pensando em tudo. Pode gritar à vontade, ninguém virá te socorrer.
Apavorada com o que acaba de ouvir, ela encara Mark, que adentra o pequeno depósito. Ao contrário de Hector, Mark tinha mais paciência; por isso, suspira pesado, lançando um olhar preocupado para ela.
— Ava, por favor, pelo seu próprio bem, venha comigo para o quarto — pede com educação. — Você não pode fazer esforço e nem mesmo ficar nervosa.
— Como não posso ficar nervosa, se todos vocês estão mentindo para mim? Eu não vou a lugar nenhum — Ava insiste, plantada no mesmo lugar, enquanto a sua voz treme com o nervosismo do momento. — Eu nem sei realmente o que vocês querem fazer comigo.
Hector, claramente impaciente com a situação, rebate:
— Você realmente acha que, se tivéssemos intenções ruins, não teríamos agido até agora? — sua voz se eleva, despontando a sua frustração. — Você ainda não percebeu que estamos tentando cuidar de você?
Ava se cala, confusa. Hector tinha um ponto. Ele havia cuidado dela desde o primeiro dia e contratado profissionais para isso. Mas ainda assim, uma dúvida crucial persiste.
— Se está apenas cuidando de mim, por que mentiu dizendo que era meu noivo? — ela questiona, um pouco vacilante.
— Fiz isso para que você ficasse tranquila e se sentisse segura — Hector revela, suavizando a voz. — Se eu dissesse a verdade, você ficaria desconfiada e não conseguiria focar na sua recuperação.
Embora a explicação dele parecesse razoável, isso não era o suficiente para tranquilizá-la completamente.
— Se é assim, eu já estou bem melhor, então ligue para minha família e diga que podem cuidar de mim daqui para frente — ela desafia.
— Não farei isso — diz Hector.

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