Quando chegam à mansão, Ava desce do carro sem questionar nada e segue para o interior da casa sem dizer uma palavra.
Doris a observa entrar e seu rosto se contorce em pânico, temendo que seu envolvimento nos recentes acontecimentos pudesse ser exposto.
— Prepare algo para ela comer — Hector instrui, vendo Doris paralisada.
Depois, ele acompanha Ava até o quarto.
Eles cruzam o limiar da porta e Ava pausa por um instante, observando o espaço onde estava sendo mantida. Ela então se volta para Hector.
— Posso ficar sozinha? Minha cabeça está latejando — pede, com uma voz que, surpreendentemente, não carrega raiva, ressentimento ou sarcasmo. Havia apenas um cansaço profundo em seu tom.
Percebendo o desgaste emocional dela, Hector concorda com um aceno e sem dizer nada, se retira, fechando a porta atrás de si com delicadeza.
Assim que deixa o quarto com uma expressão preocupada, Hector pausa brevemente na soleira da porta enquanto seu olhar se perde no vazio.
“Será que ela se lembrou de tudo?”, ele pensa, questionando a onda de possíveis memórias que Ava poderia ter recuperado. Com passos lentos e pensativos, ele se dirige ao seu escritório, tentando deixar aquilo de lado por hora.
Ao entrar, ele vai direto ao frigobar, puxa uma bebida que normalmente reservaria para momentos de celebração ou nervosismo extremo. A garrafa gela seus dedos enquanto ele caminha até a janela, olhando para o jardim que se estende serenamente sob a luz da lua. Lá fora, o mundo parece distante e pacífico, em contraste com a tempestade interna que ele enfrenta.
Ele não quer admitir, mas a preocupação com o estado emocional de Ava o consome mais do que gostaria. A possibilidade de ela ter recuperado suas memórias traz um peso inesperado ao seu coração.
— O quanto essas memórias devem ser dolorosas? — Se pergunta, enquanto suspira pesadamente.
O ar frio da noite b**e contra o vidro de sua janela, revelando a mesma inquietação que ele sentia naquele momento.
Tomando um gole da bebida, ele se permite um momento de vulnerabilidade, questionando as consequências de suas escolhas.
“O que farei agora?” — Pensa, sentindo o gosto do álcool na boca.
[…]
Enquanto termina de colocar um prato de sopa quente na bandeja para levar ao quarto de Ava, Doris sente suas mãos tremerem, incertas do que encontrará ao vê-la. A ansiedade faz seus dedos oscilarem ligeiramente enquanto segura a bandeja, refletindo a tumultuada mistura de medo e expectativa que preenche seu coração ao antecipar a reação de Ava.
“E se ela me chantagear novamente, o que farei?”
Com a bandeja em mãos, ela caminha em direção ao quarto, com seu coração pesado, b**e na porta e a abre em seguida.
Assim que entra, se depara com Ava deitada na cama, com olhos vermelhos de tanto chorar.
— Trouxe algo para você comer — diz ela, com receio.
Porém, Ava não responde nada, apenas tapa o rosto com o cobertor.
Mesmo sabendo que deveria se retirar dali, Doris queria tirar as dúvidas que a atormentavam.
— Ava — a chama, mas não obtêm resposta novamente. — Eu queria saber se você contou alguma coisa para o Hector.
Ela espera por alguns segundos, até que Ava descobre o rosto e a encara, revelando seus olhos vermelhos.
— Não se preocupe, eu não disse nada… — revela. — E não pretendo dizer — conclui, voltando a tapar o rosto.
Doris se assusta com a resposta da mulher. Por acaso aquilo era um jogo? Se questiona, enquanto caminha para sair do quarto.
Assim que sai dali, ela vai ao encontro do escritório de Hector, sabia que teria que enfrentá-lo de qualquer forma, então não prolongaria aquele sofrimento.
— Levou algo para a Ava comer? — ele pergunta, assim que ela aparece na porta.

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