Um sorriso se forma nos lábios de Hector, que quer manter a aparência de imponente e que não se importa com as consequências de suas escolhas. Ele se afasta da janela e se senta em sua imponente cadeira em frente à Ava, ainda com a sua bebida em mãos.
— Quer beber algo? — questiona, erguendo sua bebida.
— Não obrigada, continuo em uso de medicamentos — ela responde.
— Posso pedir algo específico para você — ele insiste.
— Eu não quero — diz, sem delongas, endireitando-se na cadeira.
Mesmo que estivesse ali se mostrando bem decidida, Hector podia ver nos olhos vermelhos dela o quanto já havia chorado desde que chegou naquela casa. Ava estava sofrendo por dentro, por descobrir a pior das traições existentes em seu pequeno mundo cor de rosa.
— Você conseguiu se lembrar de tudo dessa vez? — ele pergunta curioso.
Ele engole em seco e assente, abaixando o olhar.
— Em primeiro lugar, eu quero te agradecer por ter me tirado de lá antes de o James me ver — diz, ela um pouco sem jeito. — Sei muito bem que usou dos recursos errados, mas foi pelo motivo certo… bem, é o que acho — acrescenta, um pouco confusa.
Hector permanece em silêncio, esperando que ela continue. Ele queria muito saber o que estava passando na cabeça de Ava naquele momento.
— Também quero te agradecer pelo que fez, no dia do meu acidente — ela continua. — Acredito que se não fosse por sua ajuda, eu não estaria aqui, viva.
— Não estaria mesmo — ele enfatiza com um pequeno sorriso convencido.
Mesmo com a expressão irônica de Hector, ela decide continuar.
— Eu me lembro do que me disse quando decidiu me ajudar — revela. — Sei que a sua ajuda não foi de graça, mas não entendo porque decidiu fazer todo aquele circo, de noivado.
— Não foi nada pensado antecipadamente — ele revela. — Eu só vi a oportunidade e aproveitei.
— É... você se aproveitou — Ava murmura. — E me manteve presa nesta casa.
— Não foi bem uma prisão, Ava. Do jeito que estava, você nem poderia ir a lugar algum — corrige-a, sem tirar o sorriso do rosto.
— Você escondeu minha existência dos meus pais, deixou que pensassem que eu estava morta — acusa-o, demonstrando a sua frustração.
Hector rapidamente se inclina para frente, apoia os cotovelos na mesa e fixa seu olhar no dela, com a seriedade voltando ao seu rosto.
— E o que você queria que eu fizesse? — Ele retruca com frieza. — Que eu ligasse para seus pais e dissesse: 'Olá, senhor e senhora Smith, a Ava está aqui comigo. Ela sobreviveu, apesar de quase ter sido assassinada pelo homem com quem ela escolheu se rebelar contra vocês e se distanciar'?

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