— Casamento?
Nada supera o choque estampado no rosto de Mark no instante em que Hector revela a proposta que fez para Ava. É como se, por alguns segundos, ele nem soubesse o que dizer — apenas arregala os olhos, com a boca semiaberta, tentando processar o absurdo que acabava de ouvir.
Sentados em um bar discreto da cidade, longe dos olhares curiosos, Mark empurra a cerveja sem álcool para o lado e encara Hector como se ele tivesse enlouquecido de vez.
— Me diz que é brincadeira, Hector — ele solta, com um fio de voz.
Hector apenas dá de ombros, como se estivesse comentando algo tão banal quanto a previsão do tempo.
— Foi a única coisa que pensei — responde, relaxando na cadeira e levando o copo de uísque aos lábios com calma.
Apoiando os cotovelos na mesa, Mark inclina-se para frente e sussurra, sério:
— Pedir a mulher em casamento? A mulher que você manteve escondida e enganada até perder a paciência?
— Exagero seu — Hector rebate com um sorriso enviesado. — Eu a protegi… à minha maneira.
— Proteção? — Mark solta uma risada seca. — Você praticamente sequestrou a coitada! E agora quer botar uma aliança no dedo dela?
Girando o copo nas mãos, Hector fica pensativo, observando o líquido girar no fundo.
— Para com isso, você sabe que não foi um sequestro. E para ser bem claro, a Ava não é burra. Eu já disse para ela ir embora, mas ela não quis ir, sabe por quê? Porque ela precisa de mim. E como eu não sou um homem de fazer favores, apenas dei… uma alternativa.
— Você é louco, cara — Mark balança a cabeça, sem conseguir acreditar. — Casamento é uma coisa séria, não devia estar pensando apenas em negócios. E se você conhecer uma pessoa legal e se apaixonar por ela? Como fará estando casado com a Ava?
— A chance disso acontecer é zero, você sabe disso.
— Ah, claro, você tem o coração de gelo — zomba.
— Não é assim, só não tenho o pensamento voltado para isso.
— Você, não — Mark admite, soltando um suspiro pesado. — Mas a Ava… a Ava sente. E depois de tudo que ela passou, duvido muito que aceite uma loucura dessas.
— Não tenha tanta certeza — Hector diz, recostado na cadeira com um meio sorriso. — Ela pediu um tempo para pensar.
Mark ergue uma sobrancelha, desconfiado.
— E por que acha que ela vai aceitar?
— Porque ela não disse “não” logo de cara — comenta, com um sorriso enviesado. — Se pediu tempo, é porque, no fundo, a ideia não pareceu tão absurda assim para ela.
Mark bufa, descrente.
— Ou porque ela está tão perdida que nem sabe o que fazer direito — rebate. — Não se engane, Hector, Ava não é o tipo que aceita qualquer jogo só porque está encurralada.
— Veremos — diz ele, confiante.
Apoiado os cotovelos na mesa, Mark comenta:
— Você está subestimando ela, Hector — alerta num tom mais sério. — A Ava pode estar confusa agora, mas quando recuperar a força… vai ser como lidar com um furacão.
Hector dá de ombros ao ouvir o amigo.
— Gosto de desafios — murmura, antes de beber mais um gole.
Apertando a mandíbula, frustrado com a arrogância do amigo, Mark comenta:
— Não é sobre gostar de desafio — rosna. — É sobre saber parar antes de perder tudo. Ela já sabe que você comprou as ações da empresa dela?

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