Por um instante, Hector fecha os olhos, saboreando o gosto da vitória como um bom vinho. Um sorriso de satisfação curva seus lábios, ao sentir que a sua melhor fase estava prestes a chegar.
Notando o silêncio de Hector do outro lado da linha, Ava decide acrescentar:
— Mas preciso deixar claro que tenho algumas condições… — acrescenta.
— É claro que teria — Hector ironiza.
— No entanto, te direi quais são pessoalmente — conclui, antes de desligar.
Assim que a ligação se encerra, Hector permanece alguns segundos em silêncio, olhando para o visor do celular, descrente da ligação que acabou de receber.
Então, com um estalo de realidade, ele volta o olhar para Kelly, que continua no veículo, esperando ansiosa para saírem dali.
Sem um pingo de delicadeza, Hector diz:
— Sai do carro.
Kelly arregala os olhos, sem entender.
— O quê? — pergunta, indignada.
— É isso que você acabou de ouvir — repete com um sorriso frio. — Saia do meu carro.
— Mas íamos nos divertir um pouco — ela protesta.
— Você disse certo, íamos, mas aconteceu uma coisa que me deixou bem mais animado.
— E eu posso saber o que foi?
— A mulher de quem eu esperava uma resposta acabou de aceitar se casar comigo. Então, a partir desse momento, eu sou um homem comprometido.
Kelly fica boquiaberta, atônita por alguns segundos, antes de sair do carro, batendo a porta com força.
— Não é justo me tratar assim — ela reclama, visivelmente irritada.
— E como quer que eu a trate? — Hector retruca com desdém, enquanto dá a volta no carro para assumir o volante.
— Você deveria me compensar pelo tempo que perdi com você!
— Tempo perdido? — ele solta uma risada breve, sarcástica. — Ainda é cedo. Tenho certeza de que consegue arrancar algum trocado de outro antes da noite acabar.
— Como ousa?! — ela protesta, elevando a voz. — Você pagou a minha amiga, deveria me pagar também!
Já sentado, Hector puxa a carteira do bolso, sem sequer encará-la. Tira algumas notas e as estende na direção dela, como se estivesse descartando um problema.
— Aqui. Volte para o bar… — diz num tom cortante. — E avise meu amigo que ele vai ter que chamar um táxi, pois terei que retornar para casa mais cedo.
Assim que ela pega o dinheiro, ainda atônita, Hector sobe o vidro do carro, liga o motor e arranca dali em alta velocidade, deixando apenas o ronco potente do veículo ecoando pelas ruas movimentadas.
Quando Hector chega à mansão, já passa da meia-noite. Ele estaciona o carro na garagem com um pouco de presa. Depois, caminha pelos corredores silenciosos da casa que, naquele momento, está com a maioria das luzes apagada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo