Mesmo que quisesse ignorar, Ava sente o olhar de Hector sobre o seu corpo, analisando cada movimento que ela faz na água… embora soubesse que não deveria, seu corpo parecia ganhar vida respondendo àquela presença.
Com os pés mergulhados na piscina, Hector não parecia ter pressa de sair dali. Apenas a observa. Por mais que a água estivesse bem quente, o frio do lado de fora parecia castigar.
— Está com frio? — ele pergunta, com a voz mais rouca do que deveria.
— Não — responde ela num sussurro, passando uma das mãos pelo pescoço, como se tentasse afastar o calor que não vinha da água. — A água está na temperatura ideal que me faz pensar em ficar aqui por um bom tempo.
Por alguns instantes, apenas o som da água se movendo entre eles preenche o espaço. Hector dobra o corpo para frente, aproximando o rosto do dela.
— Quer companhia? — pergunta. Seu timbre grave e a proximidade quase tiram o fôlego de Ava.
Ela engole em seco, lutando contra o impulso de dizer “sim”. Lutando contra si mesma.
— Isso seria apropriado? — ela provoca, com um sorriso ladeado, tentando manter o controle da situação.
— Desde quando você e eu nos importamos com o apropriado? — rebate, deslizando a ponta dos dedos pela superfície da água, traçando pequenos círculos ao redor dela, mas sem tocá-la.
Mesmo sem o toque direto, Ava sente o seu corpo se arrepiar. Era insano o poder que aquele homem exercia sobre ela, mesmo que não tivesse nenhum sentimento por ele.
Seus olhares se prendem de um jeito que nenhuma palavra conseguiria romper.
Sem desviar o olhar dela, Hector leva as mãos à camisa que usava e, num gesto despreocupado, começa a desabotoá-la, um botão de cada vez. Seus movimentos são lentos, quase provocativos, como se soubesse exatamente o efeito que causava.
Mesmo tentando fingir desinteresse, Ava não consegue evitar que seus olhos deslizem discretamente para acompanhar o que ele fazia. A cada botão solto, seu coração dispara um pouco mais.
Quando Hector desfaz o último botão, afasta a camisa dos ombros e a deixa cair ao chão, revela o peito e o abdômen perfeitamente definidos.
Então, a garganta dela seca. Seu corpo todo reage de um jeito que a faz prender a respiração. Ava luta contra o impulso de passar a mão pelos cabelos ou morder o lábio, deixando de lado qualquer gesto que entregasse o quanto ele a afetava.
Atento, Hector percebe o olhar dela e isso o incentiva ainda mais.
Sem pressa, ele leva a mão ao botão da calça.
Ava arregala os olhos de leve, enquanto seu coração dispara de um jeito como se a qualquer momento pudesse sair pela boca.
Ele desabotoa a calça, mantendo o olhar preso no dela, testando seus limites, explorando o clima que havia se criado entre os dois.
Por um momento, Ava esquece onde está, esquece quem eles são. Tudo que consegue ver é o homem à sua frente, como se o mundo tivesse reduzido àquela pequena distância que os separava.
Hector desce o zíper da calça e ela só então percebe que mal respira.

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