O silêncio que se instala entre eles pesa mais do que qualquer resposta.
Mas Ava mantém o queixo erguido, tentando se agarrar à firmeza que lhe resta, mas o olhar de Hector, tão certo, tão desafiador, a desnorteia mais do que gostaria de admitir.
Ele se aproxima mais, como se desafiasse os limites que ela mesma impôs.
— Acho que não vai ser tão fácil quanto você imagina — murmura, com a mesma voz rouca que usou à noite quando estavam na piscina.
Mas Ava não se move. Não recua.
— O que quero ou deixo de querer, não diz respeito a você — rebate ela, com a voz fria e firme, mesmo que seu coração bata descompassado no peito. — Não quero me distrair com os seus joguinhos, Hector Moreau — dispara, cortante. — Só estou aceitando esse casamento porque preciso da sua ajuda — ela continua, sem lhe dar espaço para interromper — e você me prometeu que me ajudaria com o meu ex-noivo.
Fingindo pensar por um instante, Hector passa a mão pelos cabelos desagradavelmente, como se estivesse ponderando algo muito complicado.
— Claro que prometi — diz, finalmente, com uma tranquilidade que irrita. — E depois que nos casarmos… vou cumprir minha palavra.
Tentando conter a vontade de socá-lo por aquele tom debochado, Ava suspira fundo.
— Ótimo — solta, firme.
— Mas antes… — ele diz, com a voz baixa — me diga, Ava: quais são suas outras condições?
A observando com atenção, queria saber tudo o que ela queria restringir entre eles.
No entanto, Ava sabia: precisava ser firme agora. Porque qualquer hesitação… Hector usaria contra ela.
Erguendo o queixo, decidida, ela começa a listar as condições com a voz firme, sem dar espaço para interrupções.
— Vamos morar na mesma casa — diz —, mas em quartos separados. Preciso do meu espaço e da minha privacidade.
Hector apenas a observa em silêncio.
— Precisaremos divulgar nosso relacionamento — ela continua —, fingiremos ser um casal na frente das pessoas. Vamos sustentar a imagem de um casamento perfeito.
Ela cruza os braços, reforçando:
— Mas será apenas fachada. Nada, além disso.
Vendo que ele não responde, decide prosseguir:
— Vamos usar nossas influências para crescer juntos. Vamos fortalecer nossas posições sociais e profissionais, lado a lado.
Faz uma pausa, olhando diretamente nos olhos dele.
— E teremos um contrato assinado, deixando tudo muito claro. Sem cláusulas secretas, sem letras miúdas.
Hector arqueia uma sobrancelha, demonstrando o seu interesse evidente.
— Cada um manterá sua liberdade individual. Sem cobranças sobre horários, compromissos pessoais ou vida social. Nada de controle.
Se aproximando um passo mais dele, como quem crava uma estaca, pronuncia:
— E, acima de tudo: nada de contato físico sem o meu consentimento. Nem beijos forçados, nem toques fora do que for necessário em público para manter as aparências.
Então, para encerrar, completa:
— E, por fim: você não se envolverá nos meus negócios… e eu não me envolverei nos seus. Cada um com sua empresa, sem cruzar limites.
O silêncio e a seriedade dele a fazem sentir que ele iria aceitar… ou pelo menos fingir que aceitava.
Por fora, Hector mantém a expressão neutra, quase séria, como se estivesse ponderando cada exigência que Ava acabava de impor. Mas, por dentro, ele ri.
“Não se envolver na sua empresa…”

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