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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 75

Enquanto a carrega para fora da casa, ainda firmemente em seus braços, Hector sente o olhar de Ava cravado nele. Era intenso, confuso, numa mistura de surpresa, desconfiança e... gratidão. Ela não dizia nada, mas seu rosto expressava tudo o que a voz ainda não conseguia.

— Por que não me contou o que estava planejando? — ela pergunta, enfim, com a voz trêmula, ainda tentando entender tudo o que havia acontecido.

— Porque tive medo de que você ficasse nervosa — admite, sem rodeios, com a voz rouca e baixa. — Me desculpa por isso. Eu queria entrar antes, eu juro.

O silêncio entre os dois pesa por um instante, mas não é desconfortável. É envolvido por algo novo, que nem Ava sabia nomear. O coração dela dispara e uma inquietação toma conta do corpo, subindo pelas costelas até a garganta.

“Que diabos é isso?”, pensa, irritada consigo mesma por estar sentindo… algo.

Tentando ignorar, ela solta um suspiro e declara, com uma pontada de sarcasmo:

— Tudo bem… mas só para deixar claro: não vou pedir desculpa pelo tapa que te dei.

Ele arqueia uma sobrancelha, curioso.

— Ah, não?

— Não mesmo — ela continua, erguendo o queixo. — Você mereceu por me fazer acreditar que ia me entregar para aquele desgraçado.

Ele ri de leve, mas os olhos não desviam dos dela.

— Talvez eu tenha merecido mesmo.

— E mereceu com gosto — ela completa, com um sorriso curto, que morre rápido nos lábios.

Mas por dentro, algo nela já não é mais o mesmo.

O barulho de um veículo se aproximando faz Hector e Ava virarem o rosto ao mesmo tempo. Os faróis iluminam a entrada da casa e, em segundos, o veículo estaciona.

— É o meu carro — Hector comenta.

Quando a porta se abre, Mark desce às pressas, fechando a porta com força e vindo na direção dos dois.

— Então foi ele quem saiu com o seu carro quando você fingiu estar indo embora? — ela pergunta, desconfiada.

— Sim — confirma Hector, ainda com ela nos braços. — Eu precisava que o James acreditasse que estava sozinho com você. Precisávamos que ele se sentisse no controle para falar o que precisava.

Chegando perto, Mark analisa Ava de cima a baixo, com os olhos preocupados.

— O que aconteceu? Ela está ferida? — pergunta, ofegante, olhando para Hector.

— Calma, ela está bem — Hector responde. — Foi só um susto, apenas isso.

Mark franze a testa.

— E por que, exatamente, você está carregando ela no colo?

Só depois da pergunta de Mark é que Ava se dá conta de que Hector ainda a segurava no colo desde que haviam saído da casa. Desde o confronto, desde o alívio… e ali estava ela, aninhada contra o peito dele, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo.

O constrangimento vem como uma onda quente.

Ela se mexe de leve, desconfortável, e antes que alguém diga mais alguma coisa, se desvencilha dos braços dele com um pouco de pressa.

— Tem razão… eu já sei andar, Hector — diz, ajeitando o casaco e evitando o olhar de ambos, enquanto as bochechas ardem de vergonha.

Hector não tenta segurá-la. Apenas a observa, mas com o maxilar travado e um olhar direto para Mark; um olhar claro, reprovador. Como se dissesse “sério que você teve que comentar?”

Percebendo de imediato o climão que se formou, Mark levanta as mãos, murmurando, quase rindo:

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