Ao vê-la chorando como uma criança ferida, James revira os olhos, impaciente. A cena o incomoda, não por remorso, mas por irritação. Para ele, aquilo precisava acabar ali, de uma vez por todas.
Ava já havia sobrevivido uma vez… mas agora, ele estava decidido: faria o que fosse preciso para garantir que ela nunca mais voltasse do “mundo dos mortos”.
— Chega, Ava — resmunga, com frieza. — Eu realmente não queria ter que chegar nesse ponto outra vez.
Ele dá um passo à frente, com dureza no olhar.
— Acha que foi fácil para mim te colocar dentro daquele veículo e te lançar ribanceira abaixo? Ainda mais sabendo que havia câmeras em boa parte do caminho? Sabe o trabalho que deu apagar cada maldita prova? Se você tivesse feito a sua parte e morrido naquele dia, nada disso estaria acontecendo agora.
Ele respira fundo, como se justificasse uma boa ação.
— E, quer saber? Eu até fui gentil… te deixei inconsciente antes. Justamente para você não sentir nada. Mas você…
A voz dele engrossa, cheia de raiva contida.
— Você sempre estraga tudo. Até para morrer direito, você falhou.
Com o olhar de desprezo, ele a olha de cima a baixo, como se estivesse diante de algo desprezível.
— Mas eu tive sorte — continua, com um meio sorriso cínico. — Já que você foi parar nas mãos do Hector Moreau. Um homem tão frio e ambicioso quanto eu.
Ava o encara, com o coração acelerado e a respiração irregular. Ainda havia lágrimas em seus olhos, mas agora, misturadas com fúria e incredulidade.
— O que o Hector pediu em troca para me entregar a você?
James ri com desdém.
— Achei que fosse mais esperta, Ava. Ele me procurou. Me mostrou que você estava viva, mas que estava vulnerável… fraca. E sugeriu que talvez fosse o caso de se livrar de você de vez. Mas não de graça, claro.
Ela sente um nó apertar o estômago.
— E o que ele queria em troca?
— As ações da empresa — revela, sem hesitar. — Aquelas que você me deu. O presente que você me deixou quando ainda acreditava que eu era o amor da sua vida. Hector queria isso. Um pedaço do seu império.
Com o olhar perdido, Ava recua um passo, sentindo que tudo ao seu redor parecia girar.
— Não… — sussurra, mordendo os lábios.
Por que demorou para enxergar tudo aquilo? Estava tão claro desde o início e mesmo assim ela foi cega ao entender as verdadeiras intenções daquele desgraçado do Moreau.
— Percebo que ele é bom em manipular. Jogar com as palavras. Te fez confiar nele. Igualzinho a mim.
Ele sorri, convencido de que havia colocado a dúvida no coração dela.
Sentindo mais uma vez que as lágrimas iriam rolar, ela fecha os olhos, pressionando-os com força.
— No final das contas… acho que vocês dois se merecem — ela murmura. — Dois desg…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo