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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 80

Acordando com a cabeça meio pesada e ainda de olhos fechados, Hector estica a mão pelo colchão, procurando por Ava. Mas só encontra o lençol frio ao lado. Franzindo o cenho, se senta devagar e boceja, sentindo o corpo mole, como se tivesse levado uma surra do próprio sono.

Quando pega o celular na mesinha de cabeceira, arregala os olhos ao ver a hora.

— Sete da noite? — resmunga, passando a mão no rosto. — Não acredito que apaguei assim.

Ele se levanta devagar, coçando a nuca, e sai do quarto. A casa está em silêncio, como sempre, então imagina que Ava possa ter ido para o quarto dela, nada muito fora do comum, já que devia ter acordado e se sentindo incomodada ao perceber que não estava em seu quarto.

Descendo as escadas meio no automático. Estava faminto e, antes de pensar em qualquer coisa, precisava comer alguma coisa. Depois, veria onde ela estava e o que ela iria querer fazer no restante da noite.

Quando chega à cozinha ainda coçando a cabeça, tentando acordar de vez, ouve passos apressados. Lentamente, vira-se e dá de cara com Doris, que estava entrando com uma bandeja vazia nas mãos.

Assim que o vê, ela congela. Os olhos se arregalam por um segundo e a expressão muda de imediato, como se tivesse sido pega fazendo algo errado.

— Hector… — ela diz, tentando forçar um sorriso, mas a voz sai trêmula.

— O que foi? — pergunta direto. — Parece que viu um fantasma.

Engolindo em seco, abaixa os olhos e ajeita a bandeja nos braços, como se isso fosse dar tempo para pensar.

— Não é isso… só me assustei com sua presença. Achei que ainda estivesse dormindo — desconversa, dando um passo para trás, como se quisesse sair dali o mais rápido possível.

No entanto, ele percebe haver algo errado.

— Cadê a Ava? — pergunta, firme.

— Ela saiu — revela, já imaginando escândalo que ele faria.

— Ela saiu? — Hector pergunta, tentando processar a informação. — Quando foi isso?

— Já faz algumas horas — responde Doris, hesitante.

— E com quem ela foi?

— Sozinha — confessa, desviando o olhar. — Ela pegou o seu carro emprestado e disse que não tinha hora para voltar para casa.

O coração dele dispara.

— Você está me dizendo que, além de sair sem me avisar, ela levou o meu carro?

— Sinto muito, Hector. Eu até pedi para ela te avisar antes, mas você sabe como ela é… teimosa — justifica, aflita.

Ele ergue a mão, pedindo silêncio, sem sequer encará-la.

— Está tudo bem. Eu sei como ela é — diz, tentando manter a calma enquanto se vira e abre a geladeira, pegando uma garrafa d’água como se isso fosse ajudá-lo a raciocinar melhor.

Doris o observa, perplexa com a tranquilidade dele.

— É isso? — questiona, incrédula. — Você não vai fazer nada?

— Como assim?

— Ué… não vai atrás dela? Não vai ligar? Falar alguma coisa?

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