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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 81

As horas passam e a madrugada fica para trás, dando espaço para os primeiros raios de sol baterem nas janelas. E nada da Ava aparecer.

Por fora, Hector parecia tranquilo. Acordou, desceu, tomou café em silêncio, como se estivesse tudo normal. Nem mencionou o nome dela, ou fez qualquer tipo de pergunta. Nada.

De longe, Doris observava quieta. Achou estranho, claro. Mas preferiu não abrir a boca. Conhecia-o o suficiente para saber que, com ele, uma palavra fora de hora podia transformar uma simples gota em uma terrível tempestade.

Então ficou na dela. Só olhando. Porque, mesmo fingindo calma, dava para ver que alguma coisa estava errada.

Muito errada.

No entanto, quando o relógio começou a se aproximar da hora do almoço, a paciência de Hector falhou. A fachada calma já não se sustentava mais.

Ele andava de um lado para o outro pela sala, indo até a janela a cada cinco minutos, espiando o portão como se isso fosse fazer Ava aparecer. Mas o portão continuava fechado. O mesmo silêncio. O mesmo vazio.

— Já chega! — resmunga, impaciente, demonstrando o quanto aquela espera o deixava frustrado.

Sem pensar duas vezes, pega a chave de um dos outros veículos no aparador e caminha apressado em direção à porta.

Ele já tinha decidido: se Ava não voltava, ele mesmo ia atrás dela.

Enquanto dirige com uma mão no volante, usa a outra para segurar o celular, dividindo atenção entre o trânsito e a tela.

A localização do veículo que Ava havia usado para sair de casa estava ativa no sistema do seu celular. A bolinha azul no mapa indicava que ela continuava num lugar óbvio: a casa dos pais dela.

Ele aperta os lábios, travando o maxilar, enquanto seus dedos tamborilam com impaciência no volante.

Já era difícil o bastante lidar com o que estava sentindo e agora teria que encarar os pais dela também. Enquanto dirigia, sua mente questionava: O que direi quando chegar lá?

“Desculpa incomodar, mas acho que a Ava esqueceu que a gente mora junto.”

Ele solta um suspiro irritado, aumentando um pouco a velocidade.

Sabia que não adiantava ensaiar desculpas. Quando se tratava da Ava, nada saía como o planejado mesmo.

Assim que se identifica rapidamente na portaria da casa, é autorizado a entrar. A mansão dos pais de Ava era imponente e grandiosa, refletindo o poder e a influência que a família dela possuía durante anos.

Ele estaciona o carro com certa hesitação, desce devagar, varre o lugar com os olhos e, por um instante, se pergunta o que exatamente estava fazendo ali. Nada daquilo estava em seu roteiro — nem aquela visita inesperada, nem a bagunça que sentia por dentro.

Caminhando até a porta principal, levanta a mão para tocar a campainha. Mas antes que os dedos toquem o botão, uma voz familiar ecoa da lateral da casa:

— Hector?

Ele vira o rosto na hora e vê Ava, parada perto do jardim lateral, a expressão nos olhos dela é de surpresa, como se o simples fato de vê-lo ali não fizesse sentido.

— O que faz aqui? — ela pergunta, dando alguns passos na direção dele.

Por sua vez, Hector leva um segundo para reagir. A expressão de impaciência e nervosismo que carregava no rosto se desfaz lentamente; não porque ele tenha se acalmado de verdade, mas porque decidiu vestir outra armadura.

Aquela que usava quando queria disfarçar o que sentia.

Puxando o ar devagar, ajeita a camisa como se estivesse completamente no controle da situação — mesmo que, por dentro, tudo estivesse virado do avesso — e começa a caminhar na direção dela, em passos lentos, quase preguiçosos.

Quando está perto o suficiente, curva um canto da boca num sorriso leve e provocativo.

— Fiquei com saudades da minha esposa — diz, num tom irônico, como se a palavra “esposa” tivesse um gosto doce na boca dele.

Ava pisca algumas vezes, claramente sem saber se devia se irritar com o comentário ou com o sorriso cínico que ele acabava de lançar.

Mas Hector só sustentava o olhar, fingindo uma confiança que estava longe de sentir.

Ava abre a boca, pronta para rebater o tom irônico que ele usou, mas não tem tempo.

— Filha, o almoço está pronto.

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