Entrar Via

Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 93

Assim que a porta se fecha atrás deles, Hector se vira e encara Ava com os olhos ligeiramente estreitos.

— O que foi isso?

Como se nem tivesse ouvido, Ava dá alguns passos pela sala, observando os detalhes, os quadros, a vista pela janela. Tudo para ganhar tempo, ou para provocar mesmo.

— Temos um combinado, não temos? — diz, sem olhar para ele. — Manter as aparências na frente das pessoas.

Ela finalmente se vira, cruzando os braços com um olhar afiado.

— E a sua secretária é uma dessas pessoas.

Respirando fundo, Hector encosta a mão na cintura, num gesto impaciente.

— Sim, a gente tem um acordo — responde. — Mas você não precisava fazer aquilo. Na frente dela.

— Por que não? — Ava rebate na hora, erguendo uma sobrancelha. — Por acaso, você não quer que ela nos veja juntos?

Seu tom sai mais direto do que ela pretendia, e aquela pontada de ciúmes que fingia não sentir se faz presente ali, crua.

— Não é isso — ele começa, tentando manter a calma.

Mas Ava o corta antes que ele continue:

— Porque, pelo que percebi, a sua “secretáriazinha” — diz a palavra com desdém no tom — parece não saber que somos casados. Mesmo com os nossos rostos estampados nos jornais, sites e redes sociais, ela ainda teve a audácia de perguntar quem eu era.

Ela se aproxima um pouco mais, mantendo o olhar firme.

— Então, eu só decidi deixar bem claro. Para ela. E para qualquer outra que finja esquecer… — pausa por um segundo e completa, com um tom mais baixo — que você é meu… Pelo menos por enquanto.

A última parte sai apressada, quase como uma tentativa de corrigir o que o coração deixou escapar. Mas já era tarde. Hector escuta. E entende muito bem o que ela quis dizer.

Ele a encara por alguns segundos, seu rosto é impassível, como se ainda processasse aquelas palavras. Mas então, um leve sorriso aparece no canto dos lábios, e a expressão muda completamente.

— Não sabia que a minha esposa era tão ciumenta assim — provoca, com um tom zombeteiro que só ele sabia usar.

Engolindo em seco, o rosto dela levemente cora. Percebe que deixou escapar mais do que devia. E isso a incomoda. Odeia se mostrar vulnerável, principalmente na frente dele.

— Não é ciúme — rebate, cruzando os braços, tentando parecer firme. — É questão de respeito.

— Ah, claro… respeito — ele diz, se aproximando um pouco mais, ainda com o sorriso nos lábios. — O beijo ali na frente da recepção não teve nada a ver com o nosso acordo, não é mesmo… foi por pura provocação, não foi?

— E se foi? — ela pergunta, como quem ignora, mas o brilho nos olhos entrega que ela estava mexida com aquilo.

— Foi desnecessário.

— Não achei — ela rebate.

Ele dá um passo à frente, se aproximando devagar, até estar perto o bastante para que Ava sinta a sua respiração tocando sua pele. Com delicadeza, ele leva a mão ao rosto dela, seus dedos roçam sua mandíbula com leveza, como se a estivesse estudando.

— Tudo bem… — admite. — Mesmo sabendo que você só fez aquilo para provocá-la… — murmura, com um sorriso torto — gostei muito do que você fez.

Com o dedo polegar, Hector traça um caminho suave pela bochecha dela, e ela sente o coração bater forte, descompassado. Estava ciente de que deveria recuar. Deveria dizer algo. Mas o corpo parece ter suas próprias regras quando ele está tão perto assim.

Hector se inclina, roçando os lábios perto do ouvido dela. Sua voz sai baixa, rouca, quase num sussurro que faz cada parte do corpo dela arrepiar.

— Sabia que eu não consegui dormir… depois que você saiu da minha cama?

Ele pausa, deixando o peso da frase repousar no ar por alguns segundos.

— Eu não parei de pensar no que fizemos, Ava. Em cada detalhe. E, para ser bem sincero… eu queria de novo.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo