Ainda nos braços de Hector, Ava se afasta instintivamente, tentando recompor a respiração. Já Hector não se move. Apenas vira o rosto devagar em direção à porta, com o olhar gélido.
— Priscila… — diz, num tom firme e direto — você costuma entrar na minha sala sem bater?
A mulher empalidece na hora.
— Não, é que… achei que… desculpe, senhor. Não vai se repetir.
A secretária tenta sair tão rápido quanto entrou, com o rosto em chamas de vergonha. Mas a voz de Hector a detém no mesmo instante, firme como uma ordem.
— Eu não te chamei aqui. Mas, já que apareceu, pelo menos seja útil — diz ele, sem soltar a cintura de Ava, que ainda tenta se recompor, desconfortável com a cena. — Chame agora o responsável pela segurança e pelas câmeras da empresa. Preciso que venham ao meu escritório. Imediatamente.
— Claro, senhor — responde Priscila, já se virando novamente para sair.
— Eu ainda não terminei — ele interrompe, com a voz mais fria agora.
Ela congela na porta, completamente sem graça. Seu rosto está tão vermelho como um pimentão.
Hector respira fundo, mas não suaviza o tom.
— Não sei se você não está sabendo — começa, com ênfase — Ou finge que não sabe, mas… Eu me casei. E esta mulher aqui — diz, apertando levemente a cintura de Ava — é Ava Moreau. Minha esposa.
Ao ouvir aquilo dito com tanta firmeza, Ava sente um arrepio percorrer a espinha. Era só um acordo, ela sabia. Mas ali, na frente daquela mulher, a forma como ele falou… fez parecer tudo menos isso. No fundo… uma parte dela gostou. Gostou de ser defendida. Gostou de ser chamada de minha esposa. E isso… era o mais perigoso de tudo.
— A partir de hoje — continua Hector, com o olhar cravado em Priscila — toda vez que ela pisar nesta empresa, você vai tratá-la com o respeito que ela merece. Está me ouvindo?
A mulher engole em seco, completamente sem graça.
— Você me ouviu? — repete, sem paciência, quando não obtém resposta imediata.
— Sim, senhor. Eu ouvi. Peço desculpas à senhora Moreau por qualquer… transtorno — diz, finalmente, claramente constrangida.
— Ótimo. Agora, faça o que solicitei. E bata na porta antes de entrar numa próxima vez.
Ela apenas assente e desaparece da sala em passos rápidos, fechando a porta com cuidado.
Assim que a porta se fecha e o silêncio volta, Ava respira fundo, ainda tentando se recompor do furacão que foi aquele momento. Mas não resiste. Vira o rosto levemente para Hector e solta, com um sorriso irônico, no canto da boca:
— Deve dar muito espaço para sua secretária, né?
Hector a encara, sem entender de imediato onde ela quer chegar.
— Como assim?
Ela ergue uma sobrancelha, divertida, embora o olhar ainda carregue um toque de acidez.
— Ué… para ela te chamar pelo primeiro nome, entrar no seu escritório sem bater e ainda ficar te olhando daquele jeito? Isso não acontece do dia para a noite, Hector.
Ele solta um riso baixo, balançando a cabeça, como se estivesse se divertindo com a provocação.
— Sério que você vai puxar esse assunto novamente?
— Só estou observando — ela diz, fingindo inocência. — Uma funcionária tão à vontade.
Desviando o olhar por um segundo, Ava tenta afastar aquele pensamento teimoso. Mas não consegue.
Morde o lábio, respira fundo e, num impulso, solta:
— Me diz a verdade…
Hector a encara, com o olhar ficando mais sério.
— Sobre o quê?
Ela ergue os olhos até encontrar os dele, sem rodeios agora.

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