Após algumas ligações, os seguranças trazem a informação que muda tudo.
— O automóvel está no nome de um repórter de uma emissora grande — informa o responsável, com o semblante sério. — Ele já teve algumas denúncias antigas por abordagem invasiva com outras figuras públicas.
Visivelmente irritado, Hector respira fundo.
— Muito obrigado pelo serviço, podem ir agora.
Os seguranças se despem e saem dali.
— Vou entrar em contato com a minha equipe jurídica agora mesmo — diz, já pegando o celular — e solicitar que ele seja notificado.
Ava apenas assente com a cabeça.
Ao ver Hector mais uma vez tomar a frente da situação, falando com firmeza, resolvendo tudo sem hesitar, Ava sente um arrepio percorrer o corpo — involuntário, mas impossível de ignorar.
Ele estava no telefone com seu advogado agora, dando ordens rápidas, claras, com uma segurança que preenchia a sala inteira. Ela se pega observando cada gesto: a forma como ele franze a testa concentrado, o tom grave da voz, a postura imponente. Tudo nele exalava controle. Proteção. Força.
E aquilo era novo para ela.
Como ele mesmo havia citado mais cedo… Ela estava acostumada a ser a que resolve tudo. A que assume o controle, toma as decisões, carrega o peso — até mesmo nos relacionamentos. Com James, era ela quem puxava as conversas, quem organizava, quem tomava a frente de tudo. Ela era o alicerce, o apoio, a “parte forte”.
Nunca teve o luxo de apenas… descansar.
Nunca soube como era simplesmente confiar que alguém faria as coisas por ela. Que alguém a protegeria. Que alguém a colocaria em primeiro lugar sem que ela precisasse pedir.
E ali estava Hector. Agindo e resolvendo tudo por ela.
“Meu Deus… eu não posso me acostumar com isso”, pensa, sentindo o estômago apertar, como se o próprio corpo já estivesse cedendo à ideia — antes mesmo que sua mente aceitasse.
O olhar dela volta para ele. E agora, tudo o que antes parecia apenas físico começa a se tornar mais perigoso. Porque entre um gesto e outro, entre uma ordem e outra… Hector se tornava mais irresistível. Não só pelo corpo, mas pela postura. Pela segurança. Pela presença.
Ava engole em seco, sentindo as mãos suarem.
“Você não pode se entregar. Não agora.”
Mas uma parte dela já estava cedendo. E isso… era o mais assustador.
— Sim, eu quero que esse processo comece ainda hoje. E que notifiquem a emissora também. Obrigado — diz Hector, antes de encerrar a ligação com um simples toque.
Ele coloca o celular sobre a mesa, respira fundo e então ergue os olhos.
É aí que percebe. Ava está olhando para ele.
Não de forma acusatória, nem com ironia. Mas com algo que ele ainda não havia visto com tanta clareza: admiração, talvez…
Ela tenta desviar o olhar, mas não é rápida o bastante.
Inclinando levemente a cabeça, Hector deixa um sorriso contido se formar no canto da boca, daqueles que dizem mais do que palavras.
— Você está me olhando como se quisesse dizer alguma coisa — ele comenta.
— Não estou olhando nada — ela rebate, cruzando os braços, tentando manter o tom neutro.
— Está sim — ele insiste, ainda sorrindo. — E não precisa fingir. Pode não parecer, mas eu a conheço um pouco.
Ela revira os olhos, mas o leve rubor em suas bochechas a entrega.
— Eu só estava pensando… — ela começa, olhando para o nada — que você parece outra pessoa quando está assim. Resolutivo, protetor, no controle de tudo.
Ele se recosta na mesa, cruzando os braços.
— Isso é um elogio?
Ela hesita um segundo.

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