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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 5

Nuria

A raiva fervia dentro de mim. Segurei o balde com força, os dedos cravados no metal frio, e dei um passo para frente. Meu coração batia contra as costelas, como se minha própria existência tentasse escapar daquele inferno. Mas era inútil. Não havia escapatória para alguém como eu.

E então, simplesmente... soltei.

O balde caiu com um estrondo seco, a água espirrando pelo chão polido, respingando em meus pés, encharcando a bainha da vestimenta simples que haviam me obrigado a usar. O silêncio que se seguiu foi denso, carregado, como se até mesmo o ar dentro daquela sala estivesse esperando para ver o que aconteceria.

Stefanos se moveu. Lento, sem pressa. Ele se levantou da cadeira com a tranquilidade de um predador que sabe que a presa não pode escapar. Seu olhar prateado percorreu cada gota derramada, cada centímetro do meu rosto, e um sorriso de canto se formou em seus lábios. Um sorriso que me enfurecia.

"Interessante."

Maldito fosse e sua mania de achar tudo interessante.

Eu deveria temê-lo. Era isso que qualquer loba faria. Era o que eu fiz por tempo demais com Solon. Mas algo dentro de mim, algo primal, instintivo, não reagia da mesma forma perto de Stefanos. Minha loba não recuava, não se encolhia. Pelo contrário. Ela observava. Sentia curiosidade. Como se estivesse se divertindo com esse jogo perigoso que começávamos a jogar.

"Você está acostumada a desafiar seus superiores assim?" Ele arqueou uma sobrancelha, encostando-se à mesa à minha frente. Seus olhos nunca deixavam os meus, analisando cada mínima reação, cada oscilação na minha respiração.

"Trabalhar existe um querer da minha parte. Aqui eu sou sua prisioneira, então...sim," respondi, seca, mantendo meu queixo erguido.

Ele riu. Um riso baixo, rouco, carregado de algo que eu não conseguia decifrar. "Veremos até quando."

Os segundos se arrastaram, carregados de expectativa. Ele então deslizou as mãos sobre a mesa, como se quisesse se ajeitar para uma conversa longa. Meu corpo inteiro ficou alerta.

"Quero que você limpe todo o meu escritório," ele disse, casualmente, como se não estivesse jogando outro fardo sobre mim. "Livro por livro. Peça por peça."

Meus olhos percorreram o cômodo, e minha respiração pareceu falhar por um momento.

O lugar era um verdadeiro santuário de conhecimento. Prateleiras iam do chão ao teto, abarrotadas de livros. O ar carregava um leve aroma de couro envelhecido e papel antigo. Havia documentos espalhados pela mesa dele, junto a mapas, contratos, registros. Isso me faria perder dias inteiros.

Apertei os lábios, mas não lhe daria o prazer de uma reclamação.

"Tem alguma dúvida?"

Meu olhar encontrou o dele, queimando de raiva, e meu silêncio foi a única resposta que precisei dar.

Stefanos sorriu de lado, inclinando um pouco a cabeça. Ele adorava me provocar.

"Ótimo. Então pode começar... Submissa."

O sangue ferveu em minhas veias. Minhas mãos se fecharam em punhos antes que eu conseguisse controlar.

"Isso é pejorativo," rebati, cuspindo as palavras.

Ele não se abalou. Seu sorriso permaneceu, preguiçoso, irritante. Sedutor.

"Não vejo problema algum." Seu tom era de descaso, mas os olhos me observavam atentamente, esperando minha reação.

Eu queria matá-lo.

"É simples, na verdade," ele continuou. "Só precisa me dizer seu nome. O verdadeiro, não um que você inventou." Ele se afastou e voltou para sua cadeira, recostando-se com aquela maldita tranquilidade. "Não adianta mentir. Logo as outras mulheres falarão. Mas, veja bem, estou sendo generoso e dando a você a chance de contar antes."

Meus dentes rangeram. Peguei os panos, joguei dentro do balde com força e arrastei o maldito para a primeira prateleira.

05. Submissa 1

05. Submissa 2

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