Nuria
O cheiro metálico do sangue ainda pairava no ar. Meu sangue.
Mantive o dedo preso entre os lábios, o gosto ferroso do sangue se misturando ao desespero que se espalhava pelo meu peito. Meu coração martelava contra as costelas, cada batida um lembrete de que eu não podia deixar ele ver.
Então, a porta se abriu.
Minha respiração travou. Ele estava perto. Perto demais.
Tirei o dedo da boca rapidamente, apertando-o contra a palma da mão, rezando para que o sangramento cessasse antes que ele percebesse. Antes que fosse tarde demais.
Stefanos me observava com atenção. Percepção afiada. Ele não perdia nada, não deixaria um detalhe escapar. Se ele visse... se descobrisse...
Não. Eu não podia deixar isso acontecer.
Já tinha vivido o suficiente sob a crueldade de um alfa obcecado pelo meu sangue. Já sabia o que significava ser tratada como um troféu. Eu não suportaria passar por isso de novo.
"Você se machucou?"
A voz dele soou baixa, arrastada, como se já soubesse a resposta.
Apertei o punho com força. Não. Ele não podia ver.
"Não é nada," respondi rapidamente, minha voz mais firme do que eu esperava. "Só um pequeno corte, já resolvido."
Comecei a me afastar, tentando voltar para minha limpeza forçada. Se eu apenas continuasse, ele perderia o interesse.
Mas Stefanos não era o tipo que ignorava as coisas facilmente.
Ele avançou um passo, e antes que eu pudesse reagir, seu braço se ergueu em um movimento rápido, firme, certeiro.
Maldição.
Seus dedos envolveram meu pulso, puxando-me para perto. Seu toque era quente. Dominante.
A respiração escapou de meus lábios em um suspiro trêmulo. Não de medo. Mas de algo muito pior.
"Deixe-me ver."
Tentei me soltar, mantendo o punho fechado, mas ele apertou com mais força. Não o suficiente para me machucar, apenas o suficiente para me impedir de escapar.
"Já falei que não é nada."
Stefanos arqueou uma sobrancelha. "E eu já falei para me deixar ver."
Engoli em seco. Se eu continuasse resistindo, ele só ficaria mais curioso.
Tive que arriscar.
Soltei o ar devagar, tentando parecer indiferente, e abri a mão com relutância.
Rezei. Rezei para que o sangue tivesse parado.
Stefanos inclinou a cabeça, puxando meu dedo para mais perto dele, seu olhar afiado como lâminas analisando cada detalhe. Um pequeno corte. Apenas isso. Já em processo de cicatrização.
Eu prendi a respiração, esperando por alguma reação.
Ele passou o polegar perto do ferimento, sem tocar diretamente, apenas analisando. Então, sorriu de lado. "Boa genética."
Soltei o ar de uma vez, quase rindo de nervoso. Ele não percebeu.
Seus olhos brilhavam prateados, afiados como os de um verdadeiro caçador. E eu era a presa.
Um calor estranho percorreu minha espinha, espalhando-se pelo meu corpo, criando um desconforto que não deveria existir.
Ninguém nunca me olhou assim.
Nem mesmo Solon.
E isso me apavorava tanto quanto me instigava.
A respiração de Stefanos era lenta e controlada, mas seu peito subia e descia de maneira perceptível. Ele estava lutando contra algo.
E eu sabia exatamente o que era.
Meu estômago revirou. Ele não pode me querer.
Minha loba, por outro lado, não parecia compartilhar da minha indignação. Ela gostava desse jogo.
De repente, eu já não sabia mais quem estava caçando quem.
Virei o rosto depressa, voltando a esfregar o pano na prateleira com mais força do que o necessário. Como se isso fosse apagar o calor que ainda impregnava minha pele.
O silêncio voltou a preencher o espaço entre nós, mas agora ele não era apenas tenso.
Ele pulsava.
E então percebi que fugir desse lugar não era meu único problema.
Fugir dele seria muito, muito mais difícil.

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