Stefanos
O silêncio ainda pesava no escritório, denso como um fio de lâmina prestes a partir algo ao meio.
Eu precisava sair dali.
Minha mandíbula estava travada, minha respiração mais profunda do que deveria ser. Minha paciência nunca foi curta, mas agora... agora eu estava à beira de perdê-la.
Perdê-la para uma loba rebelde.
A forma como ela me desafiava, como erguia o queixo em desafio, como cada palavra que saía de sua boca carregava aquela resistência teimosa. Isso estava me deixando louco.
E o pior de tudo? Meu lobo queria tomá-la.
Meu corpo ainda sentia o calor da presença dela, o cheiro intoxicante que me cercava cada vez que ela se mexia. Meus dedos coçavam para puxá-la contra mim, para testar a textura da sua pele, para ver até onde ela suportaria antes de ceder.
Minha visão turvou por um instante quando me imaginei fazendo exatamente isso.
Ela presa contra minha mesa, os olhos arregalados de surpresa, as unhas cravadas na madeira enquanto eu tomava o que já era meu.
Maldição.
Fechei os olhos por um segundo, tentando afastar a imagem, mas isso só piorou. Meu lobo rosnou dentro de mim, descontrolado, faminto.
Isso não faz sentido.
Eu sempre fui meticuloso. Sempre soube controlar meus impulsos. Eu nunca fui um lobo movido por desejos cegos.
Mas Nuria... ela era diferente.
O que havia nela que me fazia perder a razão?
O cheiro? Não. Era diferente, sim, mas não o suficiente para justificar essa obsessão repentina.
A atitude? Possivelmente. Eu estava acostumado com lobas que baixavam a cabeça, que jogavam de acordo com as minhas regras. Nuria não apenas recusava-se a obedecer, ela me desafiava diretamente.
Talvez fosse apenas o fato de que eu não tinha uma companheira há muito tempo.
Sim. Essa devia ser a explicação. Meu lobo estava inquieto, ansiando por algo que eu vinha ignorando por tempo demais. Eu só precisava de tempo para colocar isso de volta nos eixos.
Simples.
Respirei fundo e fitei Nuria. Ela ainda limpava a prateleira, fingindo que eu não estava ali.
A pequena provocadora sabia exatamente o que estava fazendo.
Decidi mudar o foco.
"Hoje à noite haverá um evento," anunciei, quebrando o silêncio.
Ela parou por um segundo, mas não se virou.
"Que ótimo para você."
Ah, Nuria...
Cerrei os dentes, cruzando os braços. "Você vai comigo."
Agora sim, ela se virou. O olhar azul afiado como uma lâmina. "O quê?"
"Não faça perguntas, apenas obedeça."
"Você tem um talento incrível para me irritar."
Inclinei a cabeça de lado, observando-a com diversão. "E você tem um talento incrível para fingir que não gosta quando eu ordeno algo."
Os olhos dela se estreitaram, mas ela não retrucou.
Aproximando-me da porta, acrescentei, "Mandarei trazer a roupa que você usará."
"Ah, que honra."
O tom ácido dela me fez rir baixo.
Mas então, ela fez de novo.
"Não tem uma companheira à altura, Alfa?"

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